Terça-feira, 27 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de outubro de 2026
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou na última sexta-feira (23) ser a favor de que o irmão, o senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), deixasse o Brasil se perdesse a eleição. A declaração foi dada a um podcast nos Estados Unidos.
“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza”, disse Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde o ano passado e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentar interferir no julgamento do pai, Jair Bolsonaro, preso e condenado por tentar dar um golpe de Estado.
O senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou nessa terça-feira (27) aos Estados Unidos com sua mulher e duas filhas. A informação foi divulgada pela CNN e confirmada ao Estadão/Broadcast por integrantes do governo americano.
Nessa terça, a Polícia Federal comunicou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que Flávio descumpriu a ordem judicial para entrega dos seus passaportes. Por isso, a PF realizou o cancelamento dos passaportes dele em seu sistema de controle.
Flávio Bolsonaro foi intimado na segunda-feira, 26, a entregar seus passaportes em um prazo de 24 horas. Esse prazo venceu no final da manhã desta terça-feira, 27, mas ele não compareceu para cumprir a ordem. Apesar do descumprimento, não é possível considerá-lo foragido, porque não há mandado de prisão contra o senador.
A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O caso foi revelado pelo Estadão em 18 de outubro, uma semana antes do segundo turno. Flávio negou irregularidades e classificou a medida como uma tentativa de intimidação.
O Departamento de Estado dos EUA informou que concederá vistos a Flávio Bolsonaro e sua família. O candidato do PL não reconheceu a derrota nas urnas ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na segunda (26), um dia após perder a eleição, Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo em suas redes sociais no qual negou que tivesse a intenção de sair do Brasil.
“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar”, afirmou.
Flávio Bolsonaro se referia à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou que ele entregasse seus passaportes.
O ministro é relator do inquérito que investiga o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento. O senador foi incluído nas investigações a partir da análise dos dados do celular de Willer, que foi apreendido em investigações sobre fraudes no INSS.
O caso tramita no Supremo porque Flávio tem foro privilegiado, que ele perderá quando terminar seu mandato, no fim do ano.
A PF encontrou e-mails que indicam que o senador foi cadastrado como usuário master de uma conta bancária de uma empresa do advogado.
Flávio Bolsonaro descumpriu a ordem e não entregou o passaporte.
O ex-candidato também é investigado em um inquérito que apura se pagamentos feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história de Jair Bolsonaro, foram desviados para os Estados Unidos.
Os investigadores apontam as suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e uma das hipóteses é que o dinheiro pedido por Flávio a Vorcaro, preso e acusado de fraudes bilionárias, tenha sido enviado dos EUA para sustentar Eduardo Bolsonaro. As informações são do portal de notícias G1 e do jornal O Estado de S. Paulo.
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