Quinta-feira, 05 de março de 2026
Por Rogério Pons da Silva | 16 de dezembro de 2025
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
A surrada e antiga expressão:
“Uma imagem vale mais que mil palavras.”
Cabe bem certinho nesta imagem que ilustra o artigo.
* Lixo na calçada.
* Poste com maçaroca de fios.
* Pichações.
* Cercamento privado.
* Humano em abandono.
Aparentemente, cada uma destas contingências urbanas tem suas causas particulares; entretanto, todas se interligam, com mais ou menos intensidade, por suas consequências.
Como resultado final, é o que está na imagem: a nossa tolerância, permissividade e o descaso com os espaços públicos.
Em 1994, o então prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, implementou a política que ficou conhecida como “tolerância zero”, uma estratégia de segurança pública baseada na teoria das “janelas quebradas”, de combate a pequenos delitos para prevenir crimes maiores.
De volta à nossa realidade, a imagem captada expõe exatamente a dinâmica que é aplicada em Porto Alegre de forma totalmente invertida, ou seja, o descaso que gera insegurança pública.
Primeiro, vamos atrás de um culpado. Culpamos o poder público, que, por sua vez, culpa a legislação em vigor.
Quem poderia mudar as leis (políticos eleitos) culpa a sociedade de ser opressora, e alguns defendem que pichações são expressões artísticas e viver nas ruas é um direito das pessoas.
Os lixos espalhados na rua e a insalubridade decorrente são consequências da falta de dignidade imposta aos que procuram sustento nas sobras e defendidos por quem aprova os “excluídos e seus supostos direitos”.
Pichações são consequências da tolerância ou da ignorância de quem não distingue o que é arte popular e o que é marcação de território de facções e traficantes.
Humanos em abandono nas ruas estão à sombra das leis!
Todos sabem que viver na rua não é um direito do cidadão; é uma imposição, uma cisma teimosa de que liberdade pode tudo!
É como se atirar do 10º andar para sentir-se livre. Dura 3 segundos!
Humanos em abandono, lixo nas ruas, pichações desencadeiam a sensação de insegurança e medo da população.
Verdadeiras barricadas são erguidas nas residências, tentando barrar a ousadia dos bandidos. É esteticamente e moralmente pavoroso para nos defender de humanos!
Daí tu vais me perguntar: e os postes com a maçaroca de fios?
O que tem a ver?
Do ponto de vista das consequências, só na estética; mas, no sentido amplo, é mais um componente de desleixo e abandono, como os demais exemplos.
As maçarocas de fios são mais um “ornamento” da paisagem caótica em nossa cidade.
Nosso prefeito, vereadores, Ministério Público e a sociedade precisam se dar conta de que já passou da hora de admitirmos os erros de enfoque sobre os conceitos de liberdade e expressão artística e jogar luz nas sombras das leis.
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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