Quinta-feira, 05 de março de 2026

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Colunistas Na sombra das leis

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Os lixos espalhados na rua e a insalubridade decorrente são consequências da falta de dignidade imposta aos que procuram sustento nas sobras. (Foto: Divulgação)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A surrada e antiga expressão:

“Uma imagem vale mais que mil palavras.”

Cabe bem certinho nesta imagem que ilustra o artigo.

* Lixo na calçada.

* Poste com maçaroca de fios.

* Pichações.

* Cercamento privado.

* Humano em abandono.

Aparentemente, cada uma destas contingências urbanas tem suas causas particulares; entretanto, todas se interligam, com mais ou menos intensidade, por suas consequências.

Como resultado final, é o que está na imagem: a nossa tolerância, permissividade e o descaso com os espaços públicos.

Em 1994, o então prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, implementou a política que ficou conhecida como “tolerância zero”, uma estratégia de segurança pública baseada na teoria das “janelas quebradas”, de combate a pequenos delitos para prevenir crimes maiores.

De volta à nossa realidade, a imagem captada expõe exatamente a dinâmica que é aplicada em Porto Alegre de forma totalmente invertida, ou seja, o descaso que gera insegurança pública.

Primeiro, vamos atrás de um culpado. Culpamos o poder público, que, por sua vez, culpa a legislação em vigor.

Quem poderia mudar as leis (políticos eleitos) culpa a sociedade de ser opressora, e alguns defendem que pichações são expressões artísticas e viver nas ruas é um direito das pessoas.

Os lixos espalhados na rua e a insalubridade decorrente são consequências da falta de dignidade imposta aos que procuram sustento nas sobras e defendidos por quem aprova os “excluídos e seus supostos direitos”.

Pichações são consequências da tolerância ou da ignorância de quem não distingue o que é arte popular e o que é marcação de território de facções e traficantes.

Humanos em abandono nas ruas estão à sombra das leis!

Todos sabem que viver na rua não é um direito do cidadão; é uma imposição, uma cisma teimosa de que liberdade pode tudo!

É como se atirar do 10º andar para sentir-se livre. Dura 3 segundos!

Humanos em abandono, lixo nas ruas, pichações desencadeiam a sensação de insegurança e medo da população.

Verdadeiras barricadas são erguidas nas residências, tentando barrar a ousadia dos bandidos. É esteticamente e moralmente pavoroso para nos defender de humanos!

Daí tu vais me perguntar: e os postes com a maçaroca de fios?

O que tem a ver?

Do ponto de vista das consequências, só na estética; mas, no sentido amplo, é mais um componente de desleixo e abandono, como os demais exemplos.

As maçarocas de fios são mais um “ornamento” da paisagem caótica em nossa cidade.

Nosso prefeito, vereadores, Ministério Público e a sociedade precisam se dar conta de que já passou da hora de admitirmos os erros de enfoque sobre os conceitos de liberdade e expressão artística e jogar luz nas sombras das leis.

  • Rogério Pons da Silva – jornalista e empresário (rponsdasilva@gmail.com)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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