Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

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Acontece Nadine Anflor: precisamos inverter a lógica e falar mais sobre os homens que matam

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Primeira mulher que chefiou a Polícia Civil do RS, Nadine agora luta no parlamento contra o feminicídio.

Foto: Gisele Flores

O feminicídio é uma das maiores tragédias sociais do Brasil e, no Rio Grande do Sul, os números seguem alarmantes. Em 2025, foram registrados 80 feminicídios, o que equivale a uma mulher morta a cada quatro dias. Além disso, houve uma tentativa de feminicídio a cada 31 horas. O impacto social é devastador: em quatro anos, 660 crianças e adolescentes ficaram órfãos de mãe em razão desses crimes. Já em 2026, apenas nos primeiros meses, o estado contabilizou 13 feminicídios, confirmando que o problema continua em ritmo preocupante.

A deputada estadual Nadine Anflor (PSDB), primeira mulher a chefiar a Polícia Civil gaúcha em 180 anos, construiu sua trajetória na Delegacia da Mulher, onde atuou diretamente no enfrentamento à violência doméstica. Com mais de duas décadas de experiência na segurança pública, ela acompanhou de perto a escalada da violência e hoje defende uma mudança de perspectiva: inverter a lógica do debate.

“Precisamos falar mais sobre os homens que matam do que sobre as mulheres que morrem. Durante muito tempo se justificou como crime passional, mas não há paixão nenhuma nessas mortes. Há posse, propriedade e uma cultura machista que ainda persiste”, afirma Nadine.

Outro ponto crucial levantado pela deputada é o efeito copycat. O termo, usado em criminologia e psicologia, descreve quando um crime é repetido após ampla divulgação de outro caso semelhante. “É parecido com o que acontece em suicídios ou ataques em escolas. Precisamos ter cuidado com a forma como os crimes são noticiados”, alerta. Pesquisas internacionais confirmam que a exposição intensa de crimes pode servir como “modelo” para indivíduos em situação de fragilidade emocional ou com perfil agressivo. No caso do feminicídio, a divulgação detalhada das mortes pode, sem querer, estimular novos agressores a agir, buscando a mesma “coragem” ou “visibilidade” que viram em outro caso.

Na Assembleia Legislativa, Nadine apresentou quatro projetos de lei que buscam enfrentar o feminicídio de forma estrutural e inovadora: o RS Ampara, que garante apoio financeiro e psicológico para órfãos; o sistema preditivo, que cruza dados da saúde, educação e segurança para identificar famílias em risco; a consulta de antecedentes, que permite às mulheres verificar se seus companheiros têm histórico de violência de gênero; e a Linha Calma, canal de atendimento voltado para homens, inspirado em Bogotá, para prevenir que sentimentos de frustração e humilhação se transformem em violência.

Essas propostas revelam uma visão ousada: tratar os homens como parte da solução. Nadine insiste que muitos agressores dão sinais de fragilidade emocional antes de cometer o crime. “Os homens estão cometendo feminicídio e se suicidando. Eles estão dando sinais de que também precisam de ajuda. Precisamos criar políticas públicas para eles”, explica.

Ela defende ainda a criação de um observatório do perfil dos homens agressores, complementando os já existentes sobre mulheres e feminicídio. A ideia é reunir dados que permitam compreender padrões de comportamento e desenvolver estratégias de prevenção mais eficazes.

O feminicídio não pode ser tratado apenas como estatística ou manchete. É preciso coragem política para inverter a lógica, olhar para os homens que matam e oferecer alternativas antes que a violência aconteça. Nadine Anflor, com sua trajetória na Delegacia da Mulher e na chefia da Polícia Civil, agora como deputada estadual, propõe caminhos concretos.

Se você sofre ou viu alguém sofrendo violência doméstica, denuncie. Não se cale. Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher. (por Gisele Flores -gisele@pampa.com.br)

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