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Variedades “Não conseguiu cantar de tão bêbado”: como excesso de álcool nos palcos e bastidores afeta rotina dos artistas

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Cantor Nattan admitiu que o entusiasmo e a bebida comprometeram sua performance. (Foto: Reprodução)

A autocrítica feita por Nattan após um show em Maracanaú, no Ceará, reacendeu uma discussão antiga dos bastidores da música: o impacto do consumo de álcool na rotina de apresentações.

O cantor admitiu que o entusiasmo e a bebida consumida ainda no camarim comprometeram sua performance, a ponto de repetir ao menos uma das músicas diversas vezes durante o show. Ele não citou se vai abandonar o consumo de álcool, mas prometeu entregar para o público uma “nova apresentação com o padrão de qualidade que seu público conhece” em uma outra data.

Semanas antes, Murilo Huff havia contado em uma entrevista ao apresentador Renato Sertanejeiro que reduziu drasticamente o consumo de álcool em shows após uma conversa com Luan Santana ainda em 2022.

No ano passado, João Gomes revelou ter moderado o consumo de bebida por questões de saúde. Diagnosticado com gordura no fígado, o artista comentou que foi difícil abandonar o costume de tomar duas doses de cachaça por show.

Soma-se a esses depoimentos um novo relato de Zé Neto, dupla de Cristiano. Em entrevista a Luciano Huck, ele relatou que entrou em um ciclo perigoso e abusivo de remédios, bebida e cigarro para dar conta da rotina de shows antes de aceitar o diagnóstico da doença. Em 2024, a dupla anunciou uma pausa na carreira para Zé tratar uma depressão. Antes desse afastamento dos palcos e da vida artística, o cantor usava a bebida como mecanismo para enfrentar crises de depressão e síndrome do pânico.

Entre artistas de diferentes gêneros musicais, o consumo de bebida alcoólica antes ou durante apresentações sempre fez parte dos bastidores dos shows. Mas esses relatos recentes mostram que a prática pode impactar diretamente a qualidade das apresentações. E trazer questões de curto a longo prazo para a voz, a imagem, a saúde e a carreira dos artistas.

Bastidores

Uma profissional da produção do universo sertanejo que preferiu não se identificar afirmou que, atualmente, existe uma “geração de cantores que ‘forçam a barra’ [com a bebida nos palcos] para querer gerar conexão [com o público]. ‘Ah, eu também gosto de beber, sou como vocês’. Aí, uma hora passa da conta. Um dia, perde a linha”, diz ela em reportagem publicada pelo g1.

Ela ainda afirma que, como o álcool faz parte da cultura dos shows de artistas de gêneros musicais mais populares, como o sertanejo e o forró, a produção só fica atenta à questão quando o consumo passa a ser algo grave, acendendo um alerta. “Quando a produção identifica como um problema, todo mundo fica com medo.”

Um exemplo recente e emblemático foi o de Zé Neto. Por ter se tornado um grande problema para o cantor, todas as bebidas foram tiradas do camarim da dupla.

“O álcool dá uma sensação de liberdade, ele descontrai. Mas para o artista, a gente precisa lembrar que é o trabalho dele. Ele está sendo muito avaliado naquele momento e espera-se que, assim como em qualquer outro trabalho, a pessoa não esteja alcoolizada”, afirma a psicóloga Juliana Chiavassa.

“E, principalmente o álcool afeta a nossa cognição, nossa memória. Ele pode esquecer letra, pode desafinar, falar alguma coisa que sóbrio ele não teria coragem de falar. E a visibilidade que um artista tem é muito maior do que a de uma pessoa comum que está numa mesa com amigos. Então, a longo prazo, isso também pode ser muito prejudicial para a própria imagem”, completa a psicóloga.

Risco de dependência

Vale sempre lembrar que o hábito pode se tornar dependência. “Se ele precisa do álcool para cantar, para exercer aquela profissão, ele tem algum problema que precisa de ajuda médica. Porque ele precisar do álcool para exercer aquela profissão já configura alcoolismo”, alerta a fonoaudióloga Thays Vaiano.

“Você só sobe no palco se tiver bebido? ‘Ah, não, mas eu só bebo uma latinha.’ Tá, mas senão você não consegue fazer o show? Você acha que o show é ruim? Isso já é uma dependência. Não necessariamente a pessoa tem que beber duas garrafas de vinho para parecer que que ela tá viciada. É o quanto álcool vai ocupando espaço na vida desse artista”, explica a psicóloga Juliana Chiavassa.

A psicóloga alerta ainda para o fato de alguns artistas sentirem a necessidade de consumir álcool para exercer atividades profissionais além do show, como participar de uma sessão de fotos, gravar ou compor. “Artisticamente, o que é que você faz da sua carreira sem a bebida? Esse é o ponto principal.”

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