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Notícias Não é unânime no PT a adesão à tática de Lula

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Militantes do PT usaram máscaras do rosto de Lula durante a convenção do partido. (Foto: Ricardo Stuckert/PT)

As máscaras de Lula que o PT aplicou sobre o rosto de seus militantes deu à convenção nacional do partido uma aparência de uniformidade. ”Somos milhões de Lulas, como ele pediu”, discursou Gleisi Hoffmann.

Contudo, a euforia numérica da presidente do PT e o nivelamento teatral da multidão não traduzem com precisão o que se passa nos subterrâneos do partido. Ali, uma minoria inquieta manifesta contrariedade com a tática eleitoral ditada pelo bunker carcerário de Curitiba, onde Lula está detido, na carceragem da Polícia Federal, após ser condenado pela Operação Lava-Jato.

A banda dos insatisfeitos inclui, entre outros grão-petistas, Jaques Wagner e Tarso Genro – ambos serviram ao governo Lula como ministros. Um petista explicou ao Blog de Josias de Souza: “Somos todos solidários a Lula. Mas isso não nos impede de enxergar a realidade. O que une os divergentes é a percepção de que o freio imposto por Lula, retardando o Plano B, prejudica o partido. O que divide o grupo é a falta de consenso quanto ao melhor plano alternativo.”

O incômodo da ala minoritária aumentou depois que Lula deu uma rasteira em Ciro Gomes, empurrando o PSB para fora da coligação do presidenciável do PDT. Um pedaço da oposição interna avalia que, em vez de hostilizar, Lula deveria considerar a hipótese de uma aliança com Ciro ainda no primeiro turno. Outra banda não se conforma com o custo do acerto de Lula com o PSB. Foi ao mar a competitiva candidatura da petista Marília Arraes ao governo de Pernambuco.

Proliferam também as críticas à decisão de Lula de retardar a indicação do candidato a vice na chapa do PT. O grande receio é o de que, cutucado por Lula com o pé, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) resolva morder o PT.

No limite, conforme avaliação dos técnicos do tribunal, o PT pode ser privado de participar da eleição presidencial. A chance de Lula levar em conta as opiniões da minoria inquieta é pequena.

No momento, a prioridade de Lula é Lula. A segunda prioridade de Lula também é Lula, conforme destacou Josias de Souza. Pelos seus planos, quando o registro de sua candidatura esbarrar na Lei da Ficha Limpa, Lula lançará um poste. Se o escolhido for bem-sucedido, seu sucesso e seu mandato pertencerão a Lula. Se o poste tropeçar nas urnas, Lula continuará desempenhando o seu papel de vítima. Nesse enredo, conforme apontou no blog, se o TSE excluir o PT das urnas, oferecerá a Lula mais matéria-prima para a tese da perseguição política.

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