Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 31 de maio de 2021
Vinte anos após o racionamento, o risco de faltar eletricidade volta a assombrar o Brasil. Diante da pior seca nas hidrelétricas da região Sudeste/Centro-Oeste em 91 anos, o governo se prepara para tomar medidas que garantam o suprimento de energia.
Em entrevista concedida ao jornal O Globo, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, descarta racionamento, mas pede que o consumidor faça uso mais “racional” da energia, no momento em que é acionada a bandeira vermelha nível 2 para junho — um custo extra de R$ 6,24 a cada 100 quilowatts/hora consumidos.
O governo deu início a uma varredura para saber o que tem disponível de outras fontes de energia, principalmente termelétricas, com custo maior ao consumidor. Albuquerque faz uma peregrinação em gabinetes de Brasília para alertar sobre a crise e pedir ajuda. “É um problema da sociedade brasileira”, afirmou.
1) Qual o risco de racionamento de energia elétrica?
Não trabalhamos com essa possibilidade (de racionamento) porque tudo indica que nós temos o controle da situação. Todos os nossos modelos, nossos acompanhamentos indicam que não há risco de racionamento, de apagão, no ano de 2021. Esperamos chegar ao fim do ano numa situação mais confortável, para que a gente possa passar 2022 com tranquilidade e custo de energia mais baixo. E acreditamos que, com a expansão da matriz energética, o País muito em breve não vai mais passar por situações como essa que estamos passando neste ano.
2) O acionamento de mais termelétricas, por exemplo, encarece a conta de luz. Não há risco de racionamento em razão do preço? A energia ficaria tão cara que a indústria, por exemplo, acabaria se retraindo?
O custo da energia é uma preocupação permanente. Desde o início do ano passado, nós adotamos diversas medidas para reduzir o impacto das tarifas. A bandeira vermelha, que aumenta o custo da energia, é um sinalizador. O consumidor precisa fazer um uso mais racional da energia. No que diz respeito à indústria e aos grandes consumidores, nós estamos procurando as associações e as empresas para dar acesso à energia a um custo que não interrompa a retomada da atividade econômica.
3) Qual o objetivo da sala de situação criada na semana passada para acompanhar o problema, após o alerta de emergência hídrica em cinco estados?
O governo não vai ser pego de surpresa. Ninguém será surpreendido. Nós iniciamos a campanha de economia de energia e de economia do uso da água desde o fim do ano passado. Desde dezembro temos feito essas campanhas de comunicação, que serão intensificadas agora. O Ministério das Comunicações faz parte da sala de situação. O governo não quer se surpreender e nem quer que todos os agentes sejam pegos de surpresa. Nós vamos dar previsibilidade a todos, para que possamos superar esse período da forma mais equilibrada possível.
4) Mas a população pode ficar tranquila?
Eu gostaria de passar uma mensagem de tranquilidade. Essa crise hidrológica independe da nossa vontade, é um fenômeno da natureza. Mas a população pode ficar tranquila. Nós estamos adotando todas as ações para que os impactos sejam os menores possíveis e para que nós possamos dar continuidade na retomada da atividade econômica. Nós temos todas as condições para passar por esse momento difícil com tranquilidade e reduzindo os impactos que possam haver para qualquer atividade social e econômica do País.
5) O senhor tem procurado outras autoridades para falar sobre a crise?
Esse é um problema da sociedade brasileira. Eu fui ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, vou estar pessoalmente com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, falei com o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, com os presidentes dos TRFs (Tribunais Regionais Federais), com a presidente do Tribunal de Contas da União, Ana Arraes. Vou falar com o presidente do Supremo, Luiz Fux. Estou falando com todos. Todos estão sabendo do que está ocorrendo. Nós estamos apresentando isso de forma transparente e solicitando a colaboração. Estamos conversando com todos. Esse é um problema da sociedade brasileira. Temos que tratar isso com franqueza, transparência e conversar com todos. Todos têm uma contribuição a dar.
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