Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 20 de junho de 2026
Nas redes sociais, a repercussão do envolvimento do senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, com o caso Master, revelado na nona fase da Operação Compliance Zero, foi cerca da metade da observada nas primeiras 24 horas após a divulgação das mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Foram registrados 181,6 mil posts com menções a Wagner, contra 360 mil relacionados ao pré-candidato à Presidência pelo PL no primeiro dia após a revelação dos diálogos com o banqueiro. Os dados são do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok.
Do total de publicações, o instituto se debruçou sobre 1.978 posts que concentraram 16,3 milhões de interações. O material foi dividido em seis eixos principais de debate nas redes, os chamados clusters, que correspondem a conjuntos de vocabulários e narrativas que circularam de forma articulada ao longo de determinado período nas redes.
O maior volume de postagens, 27%, tratou das relações entre Jaques Wagner, o presidente Lula e o presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre, tema no qual a imprensa ganhou destaque, segundo o levantamento. Em segundo lugar, com 24%, apareceram publicações que associam Jaques Wagner a Lula, acompanhadas de respostas que defendem transparência, respeito ao devido processo e apuração dos fatos. Perfis de direita apresentaram o episódio como evidência de corrupção no PT e sinal de desgaste do governo. Já o grupo de conteúdos relacionados ao apartamento avaliado em milhões de reais e outras supostas vantagens indevidas recebidas por Wagner, concentrou 22% das postagens.
A análise das publicações mostra que a oposição aproveitou o episódio para difundir a ideia de que não estaria preocupada com os desdobramentos das investigações do Master, reforçar a narrativa favorável à instalação de uma CPMI do Banco Master e associar o PT baiano à origem do caso. Por sua vez, a reação governista enfatizou a autonomia da Polícia Federal, a disposição do governo de não interferir nas apurações e a tese de que, no governo Lula, “quem fez, paga”. Essa narrativa contrasta com a leitura de perseguição e vitimização que a oposição costuma atribuir a operações policiais quando seus integrantes são alvo de investigações, avalia Beto Vasques, diretor de Relações Institucionais do Democracia em Xeque.
— A autonomia da Polícia Federal é o melhor ativo do governo nessa crise. É o oposto da vitimização bolsonarista. Enquanto Bolsonaro costumava tratar investigações como perseguição quando atingiam seu campo político, Lula pode dizer: “investigue quem tiver de investigar”. Mas essa linha só se sustenta se vier acompanhada de coerência política — afirma Vasques. (Coluna de opinião do portal O Globo, por Míriam Leitão).
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