Segunda-feira, 08 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 7 de junho de 2026
A Nasa anunciou o fim da missão da espaçonave Maven, que passou mais de uma década orbitando Marte para estudar a atmosfera do planeta. A agência perdeu contato com a sonda robótica há seis meses.
Maven, sigla em inglês para Mars Atmosphere and Volatile Evolution (evolução da atmosfera e voláteis de Marte), foi a primeira missão da agência espacial dos Estados Unidos dedicada a observar a atmosfera marciana e sua evolução.
Lançada em 2013, ela começou a orbitar o planeta vermelho em 2014. A ideia era que a missão durasse um ano. Mas passou de uma década.
Na última quarta-feira (3), a Nasa disse que o último contato com a Maven foi em 6 de dezembro. A sonda sofreu uma perda de sinal depois de passar por trás de Marte do ponto de vista da Terra. Mais tarde, foi determinado que estava em “um estado irrecuperável”.
Mike Moreau, gerente do projeto Maven no Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa, em Maryland, afirmou que um conselho de revisão da agência está trabalhando para determinar a origem da falha.
A sonda estava envolvida na retransmissão de dados científicos de equipamentos como os rovers Curiosity e Perseverance, usados para explorar o planeta vermelho, para a Terra.
Tiffany Morgan, diretora do programa de exploração de Marte na Divisão de Ciência Planetária da Nasa, disse que agora há “um pequeno atraso ocasional” na retransmissão desses dados.
Maven explorou a atmosfera marciana e estudou as interações atmosféricas com o Sol e o vento solar —o fluxo implacável e de alta velocidade de partículas carregadas provenientes do Sol— para entender melhor a perda da atmosfera do planeta para o espaço.
Há mais de três bilhões de anos, Marte tinha uma atmosfera mais densa e grandes quantidades de água líquida em sua superfície, com condições que podem ter sido propícias à vida microbiana. Estudar a perda atmosférica fornece informações sobre como o planeta se tornou um lugar inóspito que é hoje.
“Agora temos uma compreensão melhor da fuga atmosférica em Marte do que em qualquer outro planeta, incluindo a Terra”, disse Curry.
A missão descobriu, por exemplo, que a erosão da atmosfera marciana aumenta drasticamente durante eventos de clima espacial – quando tempestades irrompem da superfície do Sol.
A sonda levou ao registro de vários tipos de auroras que surgem quando partículas energéticas dessas tempestades mergulham na atmosfera. Em um trabalho com o Perseverance, ela permitiu observar uma aurora em Marte em luz visível pela primeira vez, com o céu brilhando suavemente em verde.
A espaçonave também conseguiu observar o cometa interestelar 3I/Atlas no ano passado.
Moreau disse que a Nasa continua investigando o que aconteceu com a sonda e que espera ter um resultado nos próximos meses. Ele acrescentou que, embora Maven normalmente não girasse em órbita, ela emergiu da passagem atrás de Marte girando a uma taxa de 2,7 rotações por minuto. Devido a essa rotação, as baterias da sonda provavelmente foram drenadas, fazendo com que seu sistema de comunicação perdesse energia.
Greg Heckler, gerente-adjunto de programa da unidade que lidera as operações de comunicações espaciais da Nasa, afirmou que a rede de retransmissão de dados de Marte dispõe de outras quatro espaçonaves em operação. Segundo ele, houve “alguns pequenos ajustes” nas operações dos rovers como resultado da falha da Maven. Morgan acrescentou que a rede de retransmissão é resiliente o suficiente para compensar a perda da sonda.
De acordo com a Nasa, Maven permanecerá em órbita por 50 a 100 anos antes de cair na superfície marciana e não colocará em risco nenhuma das outras espaçonaves da agência. A sonda viaja em uma órbita altamente elíptica – em formato oval – ao redor de Marte, alcançando uma distância mínima de cerca de 180 a 220 km do planeta e máxima de aproximadamente 4.000 km.
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