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Ciência Nasa prepara missão inédita para “salvar” telescópio que perde altitude e pode cair na Terra

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Observatório Swift, em operação desde 2004, será alvo de uma tentativa de resgate robótico. (Foto: Nasa)

Um telescópio espacial da Nasa lançado há mais de duas décadas está no centro de uma operação que pode abrir caminho para uma nova era na exploração espacial. A agência americana prepara uma missão robótica para elevar a órbita do observatório Neil Gehrels Swift, que vem perdendo altitude por causa do aumento do arrasto atmosférico e corre o risco de reentrar na atmosfera terrestre nos próximos anos.

Especializado em detectar explosões de raios gama – fenômenos considerados entre os mais violentos do Universo –, o Swift foi lançado em novembro de 2004 e continua produzindo dados científicos relevantes. No entanto, a intensificação da atividade solar fez com que a atmosfera superior da Terra se expandisse, aumentando o atrito sobre o satélite e acelerando sua queda gradual.

Sem um sistema próprio de propulsão capaz de corrigir a órbita, o observatório depende de uma solução inédita: ser capturado por outra espaçonave e impulsionado para uma altitude mais elevada.

Para isso, a Nasa selecionou a empresa americana Katalyst Space Technologies para desenvolver a missão Swift Boost. O plano prevê o lançamento da espaçonave robótica Link, projetada para se aproximar autonomamente do telescópio, realizar sua captura e utilizar seus próprios propulsores para reposicioná-lo em uma órbita mais segura, prolongando sua vida operacional.

A operação é considerada especialmente complexa porque o Swift jamais foi concebido para receber manutenção em órbita. Diferentemente de equipamentos modernos, ele não possui portas de acoplamento ou interfaces destinadas a esse tipo de intervenção, exigindo que a espaçonave de resgate utilize mecanismos específicos para agarrar sua estrutura com segurança.

Além de preservar um observatório ainda ativo, a missão servirá como demonstração tecnológica para futuros serviços de manutenção espacial. A capacidade de reparar, rebocar ou reposicionar satélites em órbita é vista por especialistas como uma das áreas mais promissoras do setor espacial, com potencial para reduzir custos e ampliar significativamente a vida útil de equipamentos científicos e comerciais.

Segundo a Nasa, o desenvolvimento acelerado da missão também representa uma oportunidade de testar novas tecnologias de aproximação e captura robótica em um cenário real. Caso seja bem-sucedida, a operação poderá servir de modelo para intervenções semelhantes em outros satélites que não foram originalmente projetados para receber assistência em órbita.

A expectativa é que a Link seja lançada a bordo de um foguete Pegasus XL, em uma missão prevista para ocorrer ainda este ano. Após alcançar o Swift, a nave executará uma série de manobras de precisão antes de elevar gradualmente sua órbita, reduzindo os efeitos do arrasto atmosférico e permitindo que o telescópio continue observando explosões de raios gama, buracos negros, supernovas e outros fenômenos extremos do cosmos. (As informações são de O Globo)

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