Quinta-feira, 05 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de novembro de 2026
Nem as famílias de renda mais alta escaparam do avanço da inadimplência no último ano. Dados do Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central (BC) mostram que, em agosto, a taxa de inadimplência cresceu 38,8% entre brasileiros que ganham de 10 a 20 salários mínimos e 35,8% entre aqueles com renda acima de 20 salários mínimos, na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Embora as famílias de alta renda continuem registrando taxas de inadimplência menores, foi entre elas que o indicador registrou as maiores altas percentuais no último ano.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, um dos pontos de atenção também para os mais ricos é o crédito rotativo do cartão, modalidade de crédito emergencial e de acesso imediato, que pode ser utilizada sem a contratação de um novo empréstimo e costuma ter juros elevados.
Dados preliminares do BC referentes a setembro, por exemplo, apontam que a taxa média de juros do rotativo do cartão chegou a 451,7% ao ano, o equivalente a 15,29% ao mês.
Já os juros do parcelamento da fatura, modalidade em que o cliente divide o saldo devido em parcelas acrescidas de juros, chegaram a 193% ao ano, o equivalente a 9,37% ao mês.
“O cartão de crédito é uma faca de dois gumes. Ele pode ajudar no orçamento se a pessoa conseguir se organizar. Mas, infelizmente, a maior parte da população ainda enxerga o cartão como uma oportunidade de esticar o orçamento no curto prazo, e o resultado disso é um juro exorbitante”, afirma Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Crédito
O cenário de juros elevados ocorre, ainda, em meio à expansão do crédito às famílias. Segundo o BC, o estoque das operações de crédito para pessoas físicas cresceu 9,9% nos 12 meses encerrados em setembro.
No rotativo do cartão, as concessões também avançaram. De acordo com o BC, o volume de crédito concedido nessa modalidade cresceu 12,6% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, para R$ 37,3 bilhões.
No parcelamento da fatura, as concessões avançaram 8,4% na mesma comparação, para R$ 17,6 bilhões.
Segundo especialistas, diferentes fatores podem ajudar a explicar o aumento do uso do cartão de crédito, inclusive entre a população de alta renda.
“Além dos juros altos que acabam deixando o consumo e o crédito mais caro, também temos uma mudança comportamental do brasileiro, que hoje tem um acesso muito mais fácil ao consumo por conta da internet”, afirma Alexandre Amorim, planejador financeiro CFP associado à Planejar.
“Antigamente, os planejadores financeiros orientavam os clientes a darem uma volta no shopping antes de comprar algo para ver se aquele produto era algo que ele realmente queria ter. Mas agora, com a internet, a compra por impulso também acaba sendo um problema”, completa.
Outro fator que pode pressionar o orçamento das famílias é a inflação, que segue acima da meta no País.
Os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, subiu 0,32% em outubro. A alta é de 4,62% em 12 meses, superando o teto da meta de inflação, de 4,5%.
Segundo Bentes, da CNC, o ritmo de redução da taxa básica de juros (Selic) também influencia o consumo e as condições de crédito no país. Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano.
Nesse sentido, embora os juros básicos tenham começado a cair — estavam em 15% ao ano no início de 2026 —, os efeitos do período prolongado de crédito caro continuam pesando no orçamento das famílias.
“Além disso, o brasileiro tem o hábito de pagar o preço da facilidade. No caso do crédito, esse preço é a taxa de juros elevada do cartão de crédito”, diz o economista. (Com informações do portal g1)
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