Domingo, 01 de novembro de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
28°
Fair

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política Nenhuma deputada faz parte do Poder Legislativo de Mato Grosso do Sul, formado por 24 homens

Compartilhe esta notícia:

A Assembléia Legislativa do Mato Grosso do Sul é a única do País a não ter nenhuma deputada mulher. (Foto: Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul/ Divulgação)

“Tem que ser senhores deputados e senhoras deputadas”, disse aos colegas uma estudante que protestava contra o fechamento de escolas estaduais em Mato Grosso do Sul. A turma discutia a melhor forma de se dirigir aos membros da Assembleia Legislativa, caso algum dos 24 eleitos aparecesse no plenário para ouvi-los, semanas atrás.

“Mas tem deputada mulher também?”, um dos jovens indagou. “Deve ter, né?”, afirmou a adolescente depois de pensar por alguns segundos. A resposta que lhe pareceu óbvia estava, contudo, errada. Quando a Folha relatou ao grupo que a Assembleia local é a única do país sem representantes femininas, a informação foi recebida com espanto.

No espaço destinado às sessões, adornado por um grande painel azul, as únicas mulheres que circulam são as funcionárias da área técnica que auxiliam as votações e as assessoras dos deputados. No saguão do prédio, os quadros com fotos de ex-parlamentares e de ex-presidentes da Casa mostram que paridade de gênero não é o forte ali.

Na legislatura anterior, três deputadas exerciam mandato, mas desde 1987 a situação não chegava ao extremo de 100% dos deputados serem homens. Em 40 anos (o estado é jovem, foi instalado em 1979), apenas nove mulheres tomaram posse na Assembleia —a maioria por ter ligações familiares e conjugais com líderes políticos.

Embora digam defender a presença de mais mulheres, os atuais ocupantes de mandatos minimizam as raízes do problema. Afirmam, por exemplo, que faltam interessadas em se candidatar e que mulher nem sempre vota em mulher. Ponderam, ainda, que a situação é mais igualitária em outros espaços.

Na Câmara Municipal de Campo Grande, são duas vereadoras entre 29 cadeiras; para a Câmara dos Deputados, duas mulheres se elegeram, de um total de oito parlamentares; nas três vagas do estado no Senado, duas são de mulheres —entre elas, a presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, Simone Tebet​ (MDB).

“Isso não apaga o fato de que a política aqui é muito machista e fechada”, diz o deputado estadual Pedro Kemp (PT). “Vem da cultura do agronegócio, baseada na visão patriarcal, de que o homem é o chefe da família e manda em todos.”

Um indício dessa mentalidade foi visto no início deste ano na Câmara da capital: os vereadores deixaram as mulheres de fora da Comissão Permanente de Cidadania, Direitos Humanos e de Proteção à Mulher. Criado o constrangimento, a composição acabou sendo modificada para incluir Dharleng Campos (PP), uma das duas vereadoras da cidade.

Na Assembleia, muitos deputados se esquivam de comentar o tema. “Foi resultado das regras da legislação eleitoral”, contemporiza Marçal Filho (PSDB), indagado sobre a ausência de mulheres. “É momento, né?”, resume Barbosinha (DEM). Ambos se referem ao fato de que candidatas mulheres até alcançaram votação expressiva em 2018, mas não entraram na legislatura porque não atingiram o quociente partidário.

É o caso de Mara Caseiro (PSDB), que buscava a reeleição e conseguiu 23 mil votos, mais do que o total obtido por 12 deputados que conquistaram cadeira na Casa. Por causa dos critérios do sistema proporcional de votação, João Henrique (PL), por exemplo, garantiu seu assento tendo recebido apenas 11 mil votos.

“É lamentável, muito triste”, diz Mara, que ficou na posição de suplente e hoje ocupa um alto cargo no governo Reinaldo Azambuja (PSDB). Ela ainda poderá voltar à Casa onde exerceu dois mandatos, caso algum eleito da coligação saia para disputar a eleição de 2020, vença e precise se afastar. Para a tucana, mesmo que os homens atualmente no Legislativo queiram dar atenção a pautas femininas —como muitos afirmam fazer—, “não é a mesma coisa que ter uma mulher lá”.

Ela defende a criação de uma cota para a eleição de mulheres nas casas parlamentares, “30% para começar”, como forma de garantir a participação e aprimorar a representação. A lei hoje obriga os partidos a lançar pelo menos 30% de candidatas, mas não reserva um percentual de cadeiras para elas.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

A nova lei contra abusos de autoridade deverá ser mais eficaz ao tratar do trabalho de policiais
Um deputado federal gaúcho quer reduzir em 25% o valor da cota para despesas com “mordomias” de parlamentares
Pode te interessar