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Colunistas Neutro é detergente

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Quem diz que não tem lado, na prática, já fez uma escolha, a de deixar que outros decidam por ele. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Em ano de eleição, uma coisa fica ainda mais evidente: não existe neutralidade na política. Pode até existir silêncio, omissão ou conveniência, mas neutralidade de verdade não existe. Quem diz que não tem lado, na prática, já fez uma escolha, a de deixar que outros decidam por ele.

A política não é um jogo distante, restrito a gabinetes ou campanhas. Ela interfere diretamente na vida das pessoas, no preço que se paga, na segurança das ruas, na qualidade da educação, no atendimento da saúde. Diante disso, escolher não se posicionar não é um ato de equilíbrio, é um ato de desistência.

Muita gente gosta de se colocar como “isenta”, como se isso fosse sinal de superioridade ou inteligência. Mas, no fundo, essa postura costuma esconder medo de se expor, receio de desagradar ou simples falta de compromisso com o rumo das decisões. Enquanto isso, quem tem posição ocupa espaço, influencia, decide e molda o futuro.

A própria lógica da vida mostra que ficar em cima do muro nunca foi solução. Posicionamento exige coragem. Exige dizer o que pensa, assumir consequências e defender aquilo em que se acredita. É desconfortável, muitas vezes impopular, mas é exatamente isso que move mudanças reais.

Até na Bíblia há um alerta claro contra a indecisão. Em Apocalipse, está escrito que os mornos são rejeitados. Nem quentes, nem frios. Ou seja, não se trata apenas de ter razão, mas de ter firmeza. A morna indecisão não constrói nada, não inspira ninguém e não resolve problema algum.

Na política, isso é ainda mais evidente. Não existe espaço para quem tenta agradar todos ao mesmo tempo, porque, no fim, não representa ninguém. Quem não escolhe um lado acaba, inevitavelmente, servindo ao lado mais forte, mesmo que de forma passiva.

Dizer que “não gosta de política” ou que “todos são iguais” pode até soar confortável, mas não muda a realidade. As decisões continuam sendo tomadas, com ou sem a sua participação. E, quando você não participa, alguém decide por você.

Por isso, é preciso deixar claro: posicionamento é tudo. Pode ser quente, pode ser frio, mas não pode ser morno. A sociedade avança quando as pessoas assumem suas convicções, debatem ideias e participam de forma ativa.

No fim das contas, neutralidade funciona bem para detergente. Na política, não. Na política, quem não se posiciona não fica neutro, fica ausente. E ausência, em tempos decisivos, custa caro.

* Vera Armando – jornalista e vereadora de Porto Alegre

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Francisco Silveira
24 de março de 2026 14:18

Excelente texto. Me ajuda cada vez mais em que rumo tomar. Parabéns.

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