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Saúde Níveis de ferro no sangue podem ajudar a desacelerar o envelhecimento

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O pico da velhice, segundo o estudo, acontece por volta dos 78 anos. (Foto: Reprodução)

Cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e do Instituto Max Planck de Biologia do Envelhecimento, na Alemanha, identificaram alguns genes ligados ao envelhecimento que podem ajudar a explicar por que as pessoas envelhecem em ritmos diferentes umas das outras – e como isso se relaciona com os níveis de ferro no sangue. O estudo foi publicado neste mês na revista Nature.

Ao analisar os dados genéticos de mais de um milhão de pessoas, a pesquisa indica que manter níveis saudáveis de ferro no sangue pode ser a chave para envelhecer melhor e viver mais.

Por meio do estudo, a equipe identificou dez regiões do genoma humano ligadas à vida útil, aos anos de vida livres de doenças e à longevidade; e notou que conjuntos de genes ligados ao ferro estavam superrepresentados nas análises dessas três medidas de envelhecimento.

Usando um método estatístico conhecido como randomização mendeliana, os pesquisadores apontaram que os genes envolvidos no metabolismo do ferro no sangue são parcialmente responsáveis por uma vida-longa e saudável.

Os níveis de ferro no sangue são afetados pela dieta de cada pessoa e quantidades anormalmente altas ou baixas estão relacionadas a condições relacionadas à idade, como a doença de Parkinson, a doença hepática e um declínio na capacidade do organismo de combater infecções em idade avançada.

“Especulamos que nossas descobertas sobre o metabolismo do ferro também possam começar a explicar por que níveis muito altos de carne vermelha rica em ferro na dieta foram associados a [más] condições relacionadas à idade, como doenças cardíacas”, afirma Paul Timmers, pesquisador do Instituto Usher da Universidade de Edimburgo e coautor do artigo, em nota.

Os resultados do estudo podem acelerar o desenvolvimento de medicamentos para reduzir doenças relacionadas à idade, prolongar anos de vida saudáveis e aumentar as chances de viver até a velhice livre de doenças, sugerem os pesquisadores.

Sobrevivendo além dos 100

Embora as tendências de expectativa de vida estejam se tornando comuns, elas não são uma garantia. Melhorias recentes na mortalidade dinamarquesa após um período de estagnação levou a suspeitas de que vidas centenárias possam estar aumentando por lá. Isso é bastante diferente do que foi observado recentemente na Suécia, onde houve certa diminuição da tendência nas idades mais altas.

Nós estudamos 16.931 centenários (10.955 suecos e 5.976 dinamarqueses) nascidos entre 1870 e 1904 na Dinamarca e na Suécia, países vizinhos com cultura e história parecidos, para identificar se nossas suspeitas estariam corretas. Embora a Suécia geralmente tenha taxas de mortalidade mais baixas que a Dinamarca na maioria das idades, nenhuma evidência de aumento na idade na Suécia foi observado em anos recentes. Na Dinamarca, entretanto, os muito idosos morreram cada vez mais velhos, e a idade na qual somente 6% dos centenários sobrevivem aumentou consistentemente durante o período.

Sistemas de Saúde

Primeiro, existem diferentes níveis de saúde entre as duas populações idosas. Estudos recentes mostraram melhorias na saúde conforme medidos pelas Atividades Diárias (Activities of Daily Living, ADL, na sigla em inglês) – as tarefas básicas para levar uma vida independente, como tomar banho ou se vestir – em centenárias na Dinamarca. Na Suécia, por outro lado, essas tendências para os idosos foram menos otimistas. Um estudo revelou que não houve melhoria na ADL, com deterioração na mobilidade, cognição e testes de performance.

A diferença entre os dois sistemas de saúde, especialmente em tempos recentes, poderiam portanto ajudar a explicar a diferença. O gasto em serviços públicos diminuíram na Suécia no início dos anos 1990 devido a uma série de crises econômicas. O sistema de saúde para os idosos foi afetado. Por exemplo, para internação de pacientes idosos, houve uma mudança de hospitais para casas de idosos e redução no número de leitos nessas casas. Os cortes colocaram alguns idosos em risco, particularmente aqueles em grupos socioeconômicos mais baixos.

Somado a isso, ambos os países seguiram caminhos um pouco diferentes nos cuidados com idosos: a Suécia tende a focar nos mais frágeis, enquanto a Dinamarca adota uma abordagem mais generalista. Alguns estudos sugerem que a abordagem sueca resulta em pessoas que necessitam cuidado não recebê-lo, com os segmentos menos favorecidos da população idosa dependendo mais dos cuidados familiares, que podem ter qualidade menor.

Pessoas que chegam a idades avançadas são um grupo selecionado e obviamente muito duráveis. Talvez por causa da resiliência inata e uma fisiologia particular, elas se beneficiam mais de melhorias nas condições de vida e tecnologia.

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