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Brasil No Brasil, 85% das crianças têm acesso à internet e mais da metade já possuem celular

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Esse acesso cresce continuamente com o avanço das faixas de idade, chegando a mais de 96% dos adultos de 20 a 29 anos.

Foto: Isac Nóbrega/PR
Esse acesso cresce continuamente com o avanço das faixas de idade, chegando a mais de 96% dos adultos de 20 a 29 anos. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

É cada vez mais comum que crianças, mesmo quando muito pequenas, tenham aparelhos celulares. Também é comum que elas passem cada vez mais tempo na frente das telas. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad/TIC), divulgada nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme o levantamento, aproximadamente 85% das crianças de 10 a 13 anos acessaram a internet no Brasil ano passado. Esse acesso cresce continuamente com o avanço das faixas de idade, chegando a mais de 96% dos adultos de 20 a 29 anos, mas diminui um pouco no patamar dos 50 anos.

Apesar de acessarem menos a rede, o crescimento no uso da internet foi mais acelerado entre os mais velhos. Segundo o IBGE, o aumento do percentual de pessoas que utilizaram a internet, de 2019 a 2022, foi maior entre adultos de 50 a 59 anos e de 60 anos ou mais (crescimento de 11,9 e 17,3 pontos percentuais, respectivamente).

Pela primeira vez, o estudo também investigou a frequência com que as pessoas normalmente usam a web: 93,4% dos brasileiros acessavam a rede todos os dias no ano passado, enquanto outros 2,7% se conectavam quase todos os dias (cinco ou seis dias na semana). A pesquisa entrevistou apenas habitantes com mais de 10 anos.

Os dados mostram um elevado percentual de crianças acessando a internet: 91,2% das que têm entre 10 a 13 anos usam a rede diariamente, seja navegando em sites, postando em redes sociais ou jogando com amigos. No caso das pessoas com idade entre 14 e 39 anos, mais de 95% afirmaram usar a internet todos os dias.

Em 2022, o percentual de crianças entre 10 a 13 anos que têm celular alcançou 54,8%. Foi um avanço de 3,4 ponto percentuais em relação ao ano anterior.

Mas, em crianças e adolescentes, o uso desenfreado também pode afetar o desenvolvimento do cérebro e a concentração. Conforme especialistas, isso pode ocorrer devido aos smartphones e outras telas provocarem a liberação de dopamina no cérebro, neurotransmissor que dá sensação de prazer e satisfação, por conta do estímulo provocado, por exemplo, ao rolar a tela do telefone, curtir, comentar, conversar e interagir com amigos e seguidores nas redes sociais. Só que a dopamina vicia. Quanto maior o contato com os estímulos rápidos, maior é a chance de repetir – e aumentar – esse tipo de comportamento.

“Além de a pessoa ter o prazer imediato, ela aumenta a impulsividade e faz com que dificulte a estratégia de controle de uso. Essa alteração no nosso cérebro pode acontecer e não se reverter”, explica Julia Khoury, psiquiatra que fez mestrado e doutorado em dependência digital. 

O maior percentual de pessoas com celular foi observado entre adultos jovens, de 25 a 29 anos. Nesta faixa etária, a taxa ficou em 94,8%. Entre os brasileiros de 30 a 39 anos, 94,9% têm celular.

O percentual cai à medida que se envelhece. Entre os que têm 50 a 59 anos, 89,6% têm o aparelho. Já entre os brasileiros com 60 anos ou mais, 73,7% são donos de um smartphone.

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