Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de agosto de 2015
Quando chegou à sede da PF (Polícia Federal), em Curitiba (PR), na tarde de terça-feira (4), o ex-ministro José Dirceu fez um pedido. Ele queria falar com um agente da custódia da PF para saber com detalhes todas as regras e horários da carceragem. “Ele quis passar a imagem de que é disciplinado, que foi um preso exemplar quando esteve na [Complexo Penitenciário da] Papuda [em Brasília]” avaliou um policial que lhe informou as instruções que regem o local.
Depois da conversa, foi para a cela que passou a dividir com o publicitário Ricardo Hoffman e com o ex-engenheiro da Petrobras Celso Araripe, que, como ele, foi detido na segunda-feira (3) durante a 17ª fase da Operação Lava-Jato. Lá, vestiu-se com a camiseta do seu time, o Corinthians, e com uma bermuda que usou de pijama para passar sua primeira noite na prisão.
Dormiu em uma das camas dentro da cela e Araripe na outra, enquanto Hoffman foi colocado no corredor. Na primeira noite a porta ficou fechada, mas não trancada, devido a essa disposição dos presos.
No dia seguinte, o primeiro que passou na carceragem de Curitiba, o petista chamou a atenção pela postura simples e pela tranquilidade. Acordou dizendo que teve uma boa noite de sono, puxou papo com os companheiros de cela e elogiou o almoço, que tinha no cardápio arroz, feijão, macarrão, legumes, salada e filé à parmegiana. O prato dele, no entanto, veio sem sal, exigência da dieta que faz por causa de suas crises de hipertensão.
Não fez nenhum pedido aos policiais, tudo que queria reuniu em uma lista que entregou à advogada Anna Luiza Souza, que havia lhe levado frutas, roupas, barbeador e outros itens de higiene pessoal. Segundo pessoas que tiveram contato com o petista, ele está consciente que deverá passar uma estada longa na prisão, chegando a verbalizar isso com companheiros e a pedir itens para o mês que vem à sua defensora.
Uma das maiores preocupações de Dirceu era saber se poderia receber visitas da atual mulher Simone Pereira, e de sua filha Maria Antonia, 5. As condições e horários da visita de familiares foi um dos motivos que fizeram a advogada Anna Luiza viajar até Curitiba. Ele estava preocupado com o fato de que, por não ser casado no papel, fosse impedido de receber as visitas de Simone.
O irmão do ex-ministro, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, assim como seu ex-assessor Roberto Marques, foram instalados em uma ala diferente de Dirceu e não tiveram contato com ele, segundo agentes da PF. Quando chegou à sede da PF em Curitiba, Luiz Eduardo pediu para ficar próximo ao irmão, mas não foi atendido. Já Dirceu não perguntou sobre ele, ao menos no primeiro dia.
O petista está instalado na mesma ala do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, podendo ter contanto com eles em horários como os de banho de sol. (Folhapress)
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