Terça-feira, 21 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 20 de julho de 2026
O volume de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) usados para pagamento ou amortização de dívidas no Novo Desenrola somou R$ 30,1 milhões até 24 de junho, um mês após o início do programa de renegociação de débitos – o que representa 0,4% do limite máximo disponível anunciado pelo governo, de R$ 8,2 bilhões.
O Novo Desenrola é o programa de renegociação de dívidas pelo qual o governo Lula tenta conter a escalada do endividamento no País, hoje em patamar recorde – problema que traz riscos à sua tentativa de reeleição.
A iniciativa, lançado em 4 de maio, é voltada a famílias, estudantes, empreendedores e agricultores familiares e tem duração de 90 dias. Pessoas com renda mensal de até R$ 8.105 e com dívidas de até R$ 15 mil por banco podem renegociá-las com taxa de juros máxima de 1,99% ao mês.
Como parte do programa, desde 25 de maio os trabalhadores podem utilizar recursos do Fundo para renegociar dívidas dentro do Novo Desenrola Brasil.
Conforme as regras, é possível sacar até R$ 1 mil do FGTS ou até 20% do saldo em conta para pagar dívidas atrasadas. O contrato é efetuado entre a instituição financeira e a Caixa Econômica Federal, mediante autorização do trabalhador. Como contrapartida, ele fica impossibilitados de receber a parcela anual do saque-aniversário.
Dados da Caixa Federal indicam que, até 24 de junho, foram realizadas mais de 51 mil operações com o uso do FGTS para quitação ou amortização de dívidas, “beneficiando mais de 41 mil trabalhadores”.
“No período, foram utilizados aproximadamente R$ 30,1 milhões em recursos do Fundo, dos quais mais de R$ 24 milhões já foram efetivamente repassados às instituições financeiras”, indicou o banco, agente operador do FGTS.
No anúncio do Desenrola 2.0, o governo federal afirmou que poderiam ser utilizados até R$ 8,2 bilhões de recursos do fundo de garantia para a renegociação de dívidas.
Isso significa que o volume utilizado até agora representa somente 0,37% do total disponível, de acordo com estimativa divulgada pelo próprio governo em canais oficiais – passado um terço do prazo.
“O que houve foi uma previsão na Medida Provisória do Programa criando um limitador para os saques, esse sim no montante global de R$ 8 bilhões. Como não se sabia naquele momento qual o volume de pedidos e efetivo uso, para garantir a solidez financeira do FGTS, foi estipulado esse limite máximo independentemente do volume de demanda”, disse a pasta em nota.
A pasta afirmou ainda que o uso efetivo tem sido reduzido por conta de o uso do FGTS no programa Desenrola estar circunscrito ao público inadimplente e, de outra parte, “em função de os descontos nas dívidas serem elevados e o saldo residual da dívida ser de baixa monta”.
“Essa percepção é reforçada pelo elevado número de quitações à vista (mais de 2 milhões de operações com porcentual médio de descontos de 82%), maior até do que as renegociações parceladas, dispensando o uso do saldo do trabalhador no FGTS.” (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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