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Brasil Nos bastidores, o último debate na TV que o espectador não viu

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Diante de 250 convidados, os candidatos debateram e explanaram sobre suas propostas. (Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

Enquanto os presidenciáveis travavam a última batalha por uma vaga no segundo turno diante das câmeras, fora dos holofotes o clima foi de confraternização entre assessores e convidados dos presidenciáveis na noite de quinta-feira (4). Houve momentos de gargalhadas com as tiradas dos debatedores e troca de efusivos cumprimentos entre as claques. Mas não faltou política nos intervalos: a ausência do líder das pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), e a possibilidade de a eleição presidencial ser definida já no domingo foram os tópicos principais das rodas de conversa.

Os candidatos ao Planalto já se preparavam para o último debate antes da eleição de domingo, nos Estúdios Globo, na Zona Oeste do Rio, quando saíram os números da última pesquisa Datafolha. Entre os convidados, tucanos veteranos rejeitavam afinidade com Bolsonaro, mas admitiam que o eleitorado do PSDB estará com o deputado caso a campanha prossiga pelas próximas três semanas.

“Agora é que o eleitor escolhe”, apostava Carlos Lupi, presidente nacional do PDT e coordenador de campanha de Ciro Gomes.

Antes do início da transmissão, o mediador William Bonner começou a explicar, item por item, as regras para os sete candidatos que já se acomodavam no estúdio. Diante de 250 convidados, os candidatos, então, passaram a revisar anotações e organizar o plano de ação para as quase três horas de programa.

A detalhada explanação sobre as regras, porém, não adiantou muito, em alguns casos. Ao longo do debate, o mediador se viu obrigado a advertir um ou outro sobre o que já havia explicado ainda com as câmeras desligadas.

Não teve cadeira vazia para representar a ausência de Bolsonaro, mas teve Haddad e Ciro – segundo e terceiro colocados nas pesquisas – sentados em lados opostos no estúdio. Em comum, a gravata vermelha que ambos escolheram para o último debate do primeiro turno. No meio do encontro, o candidato do PDT até brincou com o adversário petista:”Bonita gravata”.

Nesses minutos em que os candidatos se acomodavam no estúdio, Ciro aproveitou para mostrar com as mãos seu número na urna durante a entrada ao vivo da repórter da TV Globo em um intervalo da novela. Diferentemente do que ocorreu em outros encontros entre os presidenciáveis, ninguém pôde colar um adesivo no peito para lembrar seu número ao eleitor.

Vice de cocar e risadas

Ainda sem as câmeras ligadas, Geraldo Alckmin (PSDB), entre uma e outra espiadinha nas anotações que trouxe, ajustava a meia, que o incomodava. O tucano e Marina Silva (Rede) eram os que mais se dedicavam aos papéis que traziam. Já Haddad e Guilherme Boulos (PSOL) eram os que, faltando poucos minutos para o embate, não consultavam a papelada preparada por assessores. Na primeira fila da plateia, a vice de Boulos, a índia Sônia Guajajara, chamava a atenção usando um cocar.

Se havia poucos manifestantes que se reuniam na porta da emissora, sem muita agitação, no interior do estúdio os convidados fizeram bastante barulho quando Bonner pediu aplausos para os presidenciáveis. Os decibéis aumentaram consideravelmente com os convidados gritando os nomes de seus candidatos, até que o mediador pedisse que cessassem as palmas.

Debate iniciado para valer, os cochichos na plateia eram frequentes. Logo no primeiro bloco, em um embate entre Alckmin e Haddad, o petista mencionou, sem citar o nome do autor, entrevista do ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissatti, na qual o tucano reconheceu erros do PSDB. “É com você”, disse Serra, cutucando Jereissatti que estava ao seu lado.

As risadas na plateia foram garantidas quando Alvaro Dias (Podemos) disse que mandaria um bilhete para o “candidato Lula” por meio de Haddad, e quando o mesmo Dias estourou o tempo sem fazer a pergunta que pretendia a Henrique Meirelles. O candidato do Podemos voltou a provocar risos quando o mediador teve que pedir para que ele se posicionasse melhor frente às câmeras, para não tapar o candidato adversário. Não adiantou. Bonner teve que repetir o pedido, levando a plateia a novas risadas.

Risadas, porém, ocorreram quando o presidenciável tucano ignorou o biscoito carioca, e falou sobre a tributação de “bolachas sem recheio”, dizendo que desonerou o item de alimentação quando era governador de São Paulo.

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