Sábado, 20 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 22 de novembro de 2017
Um total de 60% das eleitoras dos Estados Unidos dizem que sofreram assédio sexual, mais de dois terços delas no trabalho, revelou uma pesquisa nacional na terça-feira. A pesquisa chega em meio a uma onda de escândalos de assédio e abuso sexuais nos Estados Unidos, que atingiram o mundo do entretenimento, dos negócios e da política.
Apenas 20% dos eleitores homens disseram ter sofrido assédio sexual, 60% deles no trabalho, de acordo com a pesquisa da Universidade Quinnipiac. Das mulheres que afirmaram ter sofrido assédio, 69% disseram que este aconteceu no trabalho, 43% em ambientes sociais, 45% na rua e 14% em casa, segundo a pesquisa.
Um total de 89% dos entrevistados classificaram o assédio sexual às mulheres como um “problema sério” e 55% disseram que a cobertura da mídia sobre a avalanche de acusações recentes levou a uma melhor compreensão do assédio sexual, segundo a pesquisa.
Por outro lado, 62% dos entrevistados disseram achar que passou a ser mais provável que as pessoas sejam responsabilizadas pelo assédio sexual após as recentes denúncias.
“Uma grande maioria dos homens e mulheres americanos estão profundamente preocupados com o assédio sexual, e os números destacam o porquê. Um número impressionante de seis em cada dez mulheres dizem que foram vítimas”, disse Tim Malloy, diretor assistente do Instituto de Pesquisa da Universidade Quinnipiac.
A pesquisa foi baseada em entrevistas feitas com 1.415 eleitores entre 15 e 20 de novembro, e apresenta uma margem de erro de 3,1%, disse a Quinnipiac.
Deputado democrata
A onda de denúncias de assédio e abuso sexual atingiu o respeitado deputado democrata americano John Conyers, de 88 anos, no Congresso desde 1965, acusado de assediar integrantes de sua equipe.
De acordo com denúncias publicadas pelo Buzzfeed, em 2015 Conyers pagou 27 mil dólares a uma ex-assessora parlamentar que afirmou ter sido demitida porque resistiu às suas investidas sexuais.
Segundo a denúncia, o acordo incluiu uma cláusula de confidencialidade, e por isso não se sabe o nome da colaboradora.
Conyers negou enfaticamente ter incorrido neste tipo de atitude, e assegurou que se o Congresso decidir iniciar uma investigação específica pretende colaborar plenamente para esclarecer o ocorrido.
“Neguei expressa e veementemente as alegações apresentadas contra mim e o continuo fazendo”, afirmou o legislador em nota oficial.
O Buzzfeed informou ter declarações juramentadas de ex-assessoras de Conyers, datadas de 2014, em que as mulheres relatam o assédio sexual que sofreram por parte do legislador e que os atos incluíram carícias não consentidas.
Conyers não admitiu ser responsável pelo acordo, que ocorreu como parte do processo que BuzzFeed descreveu como secreto e destinado a fazer vítimas acreditarem que não tinham escolha senão aceitar a oferta.
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