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Colunistas Nossa linda juventude – páginas de um livro bom

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A juventude nos concede algo que o tempo, muitas vezes, trata de moderar: a coragem de acreditar

Foto: Divulgação
A juventude nos concede algo que o tempo, muitas vezes, trata de moderar: a coragem de acreditar. (Foto: Divulgação)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Essa bela frase poética, da música da banda 14 Bis, talvez seja uma das mais verdadeiras da história da MPB… Poucas fases da vida são tão fascinantes quanto a juventude. E poucas são tão incompreendidas.

Quem está vivendo nela acredita que durará para sempre. Quem já passou por ela costuma lembrar apenas dos melhores capítulos. Talvez porque a juventude, ao contrário do que muitos pensam, não seja a idade das incertezas, e sim das certezas, da presunção do saber e de achar que pode ser melhor do que a geração anterior.

É quando acreditamos que sabemos mais do que realmente sabemos. Quando temos respostas prontas para quase tudo. Quando enxergamos o mundo em preto e branco e acreditamos que basta boa vontade, coragem e convicção para transformá-lo em um lugar melhor.

O jovem acredita que pode mudar o mundo. Acredita que combaterá todas as injustiças, derrubará todas as barreiras e construirá uma sociedade melhor do que aquela que recebeu das gerações anteriores. E existe uma beleza enorme nisso, que talvez não percebamos…

A juventude nos concede algo que o tempo, muitas vezes, trata de moderar: a coragem de acreditar. A coragem de sonhar. A coragem de tentar. A coragem de desafiar o impossível.

Mas a vida é uma professora paciente e implacável. E, cedo ou tarde, ela cobra sua matrícula. Chegam as responsabilidades. Chegam os compromissos. Chegam as contas e boletos. Chegam as perdas. Chegam as despedidas…

E começamos a perceber que o mundo é muito mais complexo do que parecia quando observávamos tudo através dos olhos da juventude.

Descobrimos que nem toda batalha pode ser vencida. Que nem toda injustiça será corrigida. Que nem toda a bondade será recompensada. E que nem toda a maldade receberá a punição que merece.

É nesse momento que alguns se tornam amargos. Outros, porém, encontram algo mais valioso: o equilíbrio.

O verdadeiro sábio não é o homem que tenta controlar tudo. É o homem que compreende que nem todo o conhecimento do mundo é capaz de mudar a essência das pessoas, das circunstâncias ou da própria vida.

Com o passar dos anos, também descobrimos algo curioso: as maiores riquezas da existência estavam justamente nas coisas que costumávamos considerar simples demais para prestarmos atenção.

Na família. Nos pais, cujos sacrifícios só compreendemos plenamente quando a idade nos alcança. Nos amigos verdadeiros. Naqueles poucos que permaneceram quando a vida deixou de ser apenas aventura e festa e passou a exigir responsabilidade.

Talvez por isso exista uma diferença tão grande entre os amigos da adolescência e os amigos da vida adulta. Os primeiros conheceram nossa pureza em toda a sua essência. Conheceram o menino que éramos antes da armadura.

Os segundos conheceram quem nos tornamos depois dela. Também aprendemos a valorizar algo pelo qual a humanidade passou séculos lutando, sofrendo, sangrando e morrendo para conquistar: a liberdade.

E não falo apenas das grandes batalhas registradas nos livros de História. Falo das pequenas liberdades do cotidiano. Do direito de voltar para casa depois de um dia normal. De sentar na sua poltrona favorita em um domingo à tarde. De abrir a geladeira de madrugada sem pedir permissão para ninguém. De viver em paz dentro do lugar que você chama de lar.

São coisas tão simples que quase nunca percebemos seu verdadeiro valor. Talvez porque a juventude nos faça olhar constantemente para aquilo que ainda não temos, enquanto a maturidade nos ensina a agradecer aquilo que já conquistamos.

E, realmente, a juventude é linda… É a fase em que somos fortes, inquietos, apaixonados, impulsivos e acreditamos que o mundo inteiro cabe dentro dos nossos sonhos.

Mas amadurecer também possui sua beleza… Envelhecer não é uma derrota. É um privilégio. Um privilégio que nem todos recebem.

Porque o tempo não leva apenas a força dos braços ou o brilho dos cabelos. Ele também entrega algo em troca. Perspectiva. Gratidão. Sabedoria…

E, principalmente, a capacidade de perceber que as coisas mais importantes da vida raramente são as mais caras, as mais famosas ou as mais grandiosas. Quase sempre são as mais simples… As que estavam ao nosso lado o tempo todo, mas não tínhamos olhos nem capacidade para enxergá-las.

Quando somos jovens, achávamos que estávamos construindo o futuro. Quando envelhecemos, percebemos que estávamos construindo memórias…

* Fabio L. Borges, jornalista, cronista e poeta gaúcho

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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