Quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 8 de novembro de 2017
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Diariamente, somos bombardeados com notícias que relatam que o Estado do Rio Grande do Sul atrasa e parcela os salários dos servidores públicos devido à crise financeira em que o Estado se encontra. Em contraponto a isso, pouco se fala sobre quanto o impacto dessa crise não é igualitariamente distribuído e sentido entre os próprios servidores. Veja, entre o topo da pirâmide do funcionalismo público e os demais funcionários, nos quais se encontram os policiais e professores, há um abismo não somente salarial e de benefícios, como também de benefícios recebidos pelo próprio Estado. O parcelamento salarial, por exemplo, está ocorrendo somente para aqueles que compõem a parte inferior dessa pirâmide, o que não faz sentido algum vista a magnitude da crise. Sendo assim, pergunto: está certo aqueles que educam e cuidam da nossa segurança (que já recebem pouco para tais funções) terem salários atrasados também por ter de manter os demais? Está certo apenas alguns pagarem e sofrerem pela má gestão pública e pelo Estado deficitário que temos?
Os valores do Estado necessitam de uma revisão urgente! Não podemos deixar uma inversão dessa magnitude acontecer! O Rio Grande do Sul está deixando de cuidar dos seus principais compromissos básicos (educação, saúde e segurança) para privilegiar, erroneamente, uma elite de servidores. Tirar direitos apenas de alguns torna a situação ainda mais caótica e inaceitável. Somando isso ao fato de termos um estado colossal, que é o principal responsável pela crise econômica, estamos apenas garantindo, por exemplo, a insegurança para a atual e próxima geração de gaúchos, ao passo que os salários de quem nos protege são defasados e frequentemente atrasados.
O problema do RS, e do Brasil, é muito superior a apenas uma revisão dos gastos públicos. A solução está na vontade e na coragem para realizar as mudanças necessárias em toda a gestão pública. É preciso transformar esse estado que hoje é formado por diversas empresas deficitárias, leis que privilegiam uma certa elite pública, uma carga tributária abissal e, principalmente, por uma máquina pública aparelhada o suficiente para evitar qualquer mudança necessária.
Quem acaba sofrendo com essa situação que privilegia poucos é o povo gaúcho. Com a insegurança, escolas precárias e um serviço de saúde necessitando investimento urgentemente, a falta de esperança relatada pelo cidadão torna-se inquestionável. Esse cenário em um estado que tinha todas os recursos, ferramentas e pessoas para se destacar entre os principais do Brasil é algo lamentável.
Rodrigo Leke Paim, publicitário e associado do IEE.
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