Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de junho de 2020
‘Nuvem de poeira Godzilla’. Esse foi o nome que deram para uma gigantesca mancha opaca que está encobrindo há dias parte do Oceano Atlântico. E para carregar a denominação de um monstro fictício conhecido no mundo todo é porque ela promete causar um grande rebuliço no planeta.
Nas imagens capturadas por satélites, é possível ver uma nuvem marrom que vai da África até o Caribe e cobre os tradicionais azul e branco já vistos antes por satélite. Segundo especialistas, trata-se de um fenômeno recorrente a cada ano, mas que parece ter se intensificado em 2020.
No Caribe, os efeitos já são sentidos. Em vários países existe a recomendação para que os cidadãos usem máscaras e evitem atividades ao ar livre, por conta da grande quantidade de partículas no ar. Para se ter uma ideia, os navios também foram advertidos sobre a baixa visibilidade para navegação.
De acordo com Olga Mayol, especialista do Instituto de Estudos de Ecossistemas Tropicais da Universidade de Porto Rico, a nuvem tem a concentração mais alta de partículas de poeira observadas na região em comparação dos últimos 50 anos.
A presença da nuvem cheia de partículas de ar seco e empoeirado pode causar danos à respiração das pessoas. E quem tem doenças respiratórias, como asma e rinite, sentirá a presença dela com mais agressividade.
Isso porque o ar tem aproximadamente 50% menos umidade do que a atmosfera tropical típica, o que pode afetar a pele e os pulmões, além de causar alergias e irritações nos olhos.
Segundo a BBC, os sinais deste fenômeno se agravam ainda mais se unidos à epidemia do novo coronavírus. Tanto é que as autoridades sanitárias de alguns países têm alertado sobre o risco extra da nuvem de poeira para pessoas com problemas respiratórios.
No domingo, o departamento de Saúde de Porto Rico alertou que pessoas com asma, problemas respiratórios e alergias, assim como aqueles que foram contaminados com covid-19, deveriam tomar medidas extras de cautela e proteção.
O que é essa nuvem, afinal?
Uma massa de ar seco que está carregada de partículas de areia se forma sobre o deserto do Saara no final da primavera, no verão e no começo do outono no Hemisfério Norte, todos os anos, e geralmente se desloca em direção ao Oeste sobre o Oceano Atlântico a cada três ou cinco dias.
Quando ocorre, costuma ser de curta duração, geralmente em torno de uma semana. Contudo, em 2020, surgiram ventos suaves em certas épocas do ano que tornaram mais propenso o cruzamento da nuvem para o Atlântico.
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