Sábado, 03 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política Novas frentes da CPI da Covid miram atuação do governo federal na crise da Saúde

Compartilhe esta notícia:

A partir de agora, investigações contra o ex-presidente devem tramitar na primeira instância. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Enquanto apura indícios de corrupção e de omissão em relação à compra de vacinas, a cúpula da CPI da Covid volta a sua mira para o Palácio do Planalto. Integrantes da comissão têm reunido informações sobre a atuação durante a pandemia de ministros do governo, de aliados mais próximos de Jair Bolsonaro e dos filhos do presidente.

O objetivo é mapear os principais personagens da cadeia de comando do grupo suspeito de praticar irregularidades no Ministério da Saúde.

A CPI da Covid recebeu informações de que decisões estratégicas e políticas na Saúde foram disparadas pelo Planalto ao então número dois do Ministério da Saúde, Elcio Franco, sem passar pelo então ministro, Eduardo Pazuello.

Franco, que ocupava o posto de secretário executivo, era o responsável pelas negociações de vacinas. O contato direto, segundo os dados em poder da CPI, se dava com a Casa Civil, à época comandada por Walter Braga Netto.

Outro foco do colegiado tem como personagem central Roberto Dias, ex-diretor de Logística do ministério. Ele confidenciou a pessoas próximas que recebia pressão do Planalto para que o processo de compra da vacina indiana Covaxin andasse com mais rapidez.

Durante o depoimento de Dias, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que o ex-diretor recebia ordens diretas da Casa Civil. E, nas palavras do senador, Dias preparou “um dossiê” com essas informações.

“O senhor sabe que o senhor fez um dossiê para se proteger. Eu estou afirmando, eu não estou achando. Nós sabemos onde está esse dossiê e com quem está. Não vou citar nomes para que a gente não possa atrapalhar as investigações. O senhor recebeu várias ordens da Casa Civil por e-mail, lhe pedindo para atender… Era “gente nossa”, “essa pessoa é nossa”. Isso foi durante o tempo todo em que Vossa Excelência está nesse cargo”, afirmou Aziz.

O ex-diretor de logística foi preso em flagrante pela comissão por perjúrio, pagou fiança e foi liberado.

Senadores admitem, entretanto, que esta frente ainda necessita de mais informações que corroborem os dados já em análise.

Ainda assim, a ideia de convocar Braga Netto para prestar depoimento tem sido semeada por oposicionistas desde o início dos trabalhos da comissão. Há um receio, no entanto, de que a medida poderia criar um desgaste institucional com as Forças Armadas, já que Braga Netto é o ministro da Defesa.

“Eu já apresentei requerimento de convocação do general Braga Netto, já apresentei requerimento de convocação do (Luiz Eduardo) Ramos (ex-titular da Secretaria de Governo, hoje na Casa Civil). Entendo que eles têm explicações a prestar?”, disse Alessandro Vieira (Cidadania-SE), suplente da comissão.

Sem convocação

Por ora, não está nos planos da cúpula da CPI convocar Braga Netto ou Ramos, como afirmou Aziz.

Nos próximos dias, o colegiado também pretende levantar mais informações sobre suspeitas de fraudes em contratos envolvendo hospitais federais no Rio de Janeiro — que eram administrados por um militar aliado de Pazuello. O caso foi revelado em maio pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

Mirando no Planalto, a CPI também tem se planejado para colher o depoimento do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni. Para senadores da oposição, o aliado do presidente Bolsonaro é suspeito de coagir uma testemunha-chave para a comissão, o servidor Luis Ricardo Miranda, do Ministério da Saúde.

Em entrevista, ele denunciou indícios de irregularidades no processo de importação da vacina indiana Covaxin. Onyx acusou o funcionário público e o seu irmão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), de terem forjado um documento que, na verdade, existia e se encontrava no sistema do governo federal. O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), pediu a convocação de Onyx para explicar o episódio — Aziz já acenou positivamente.

Em outra frente, a CPI está olhando com lupa a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e o empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, que fechou um contrato de R$ 1,6 bilhão com o Ministério da Saúde para fornecer vacinas Covaxin. Aliados do primogênito do presidente, como uma servidora do Planalto e advogados, estão mira do colegiado, que analisa ainda movimentações financeiras a partir das quebras de sigilos bancários.

Flávio chegou a intermediar um encontro de Maximiano com representantes do BNDES para tratar da possibilidade de empréstimo para uma outra companhia do empresário, conforme revelou a revista “Veja”.

O senador afirma que, na ocasião, Maximiano apresentou uma proposta para instalação de fibra ótica no Nordeste. Flávio negou qualquer relação com as negociações em torno da Covaxin e afirmou que Renan tem em seu gabinete um organograma com sua foto e a de pessoas com as quais se relaciona para lhes acusar seja do que for.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Tumulto no comércio marítimo faz disparar custos de exportações
Média móvel de mortes por coronavírus no País está em queda há 15 dias
Pode te interessar