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Rio Grande do Sul Novo canal na Lagoa dos Patos seria caro e pouco eficiente contra enchentes, aponta estudo

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Com início em 26 de abril, as chuvas se intensificaram nos dias seguintes.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Com início em 26 de abril, as chuvas se intensificaram nos dias seguintes. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A abertura de um novo canal na Lagoa dos Patos foi ventilada como uma possível boa solução para evitar novas enchentes como a ocorrida no Rio Grande do Sul neste ano. No entanto, desde que foi considerada, a proposta recebeu críticas de pesquisadores e ambientalistas. Passados quatro meses desde as cheias históricas que assolaram mais de 90% do Estado, uma pesquisa foi premiada ao reforçar que essa ideia é cara, causaria danos ambientais relevantes e prejudicaria comunidades do entorno.

Com início em 26 de abril, as chuvas se intensificaram nos dias seguintes e, pouco tempo depois, nos dias 5 e 6 de maio, levaram ao maior nível do Guaíba: 5,33 metros. Antes, o maior nível já registrado foi 4,76 metros, durante a cheia histórica de 1941.

O estudo foi elaborado no Departamento de Engenharia Agrícola e Meio Ambiente da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH-UFRGS).

Com o título “Análise de Abertura de Novo Canal de Maré na Lagoa dos Patos para Atenuação de Cheias no Rio Guaíba, RS”, o trabalho foi premiado nos congressos II Simpósio Nacional de Mecânica dos Fluidos e Hidráulica (II FLUHIDROS) e XVI Encontro Nacional de Engenharia de Sedimentos (XVI ENES), promovidos pela Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRHidro).

O responsável por liderar o grupo, Rodrigo Amado, em entrevista à Agência Brasil, lembra que a ideia circulou na época entre tomadores de decisão de diferentes níveis, como se fosse uma “solução mágica”. “Seria um canal muito extenso, com uma extensão mínima de 20 quilômetros, com uma largura muito grande também e sem nenhum estudo associado, então ninguém sabia se realmente iria funcionar”, disse.

“Acho que está bem vivo na mente de todo mundo as enchentes que ocorreram em Porto Alegre e no Estado do Rio Grande do Sul em maio. Foi o maior evento desse tipo registrado na história”, destaca Amado. De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em julho, ao menos 876,2 mil pessoas e 420,1 mil domicílios foram atingidos diretamente pelas enchentes.

Segundo o professor, o principal argumento levantado contra a construção do canal foram os impactos ambientais. “A Lagoa dos Patos tem na parte norte água doce e na parte sul água salgada. Com a construção do canal, a água da lagoa seria salinizada, e esse é um impacto ambiental importante”, explica. Para além das consequências no ecossistema, o pesquisador também ressalta os efeitos na economia local, já que a água do lago é muito utilizada na irrigação das plantações de arroz em torno do corpo hídrico.

Entretanto, uma questão que Amado afirma ser ainda mais importante é, “se construído o canal, ele vai funcionar ou não?”. Essa é a pergunta central analisada pelo estudo, que conclui que o canal não seria a melhor solução. “A obra seria muito cara e muito complexa, porque é um canal muito longo. Teria que ter proteção na entrada, para que não assoreasse pela ação das ondas do mar, e comportas também teriam que ser construídas”, argumenta.

Para desenvolver a pesquisa, que contou ainda com participação do também professor do Departamento de Engenharia Agrícola e do Meio Ambiente da UFF, André Belém, foi utilizado modelagem computacional para simular o corpo d’água. Dados do Guaíba como batimetria, contornos, margens, vazão de água, maré e vento foram inseridos no programa, atestando a confiabilidade do modelo. “Comparamos os resultados do nível de água medido no rio Guaíba, em Porto Alegre, e na desembocadura marítima da Lagoa dos Patos. Como os níveis simulados bateram com os medidos na capital, isso mostrou que os resultados do modelo estavam coerentes”.

A partir da modelagem e da comparação entre os dados observados, a conclusão do estudo foi que a obra seria extremamente complexa pela extensão do canal e consequências no ambiente, com um ganho muito pequeno. “O que obtivemos de resultado nesse estudo foi que, se o canal fosse aberto, apenas 35 centímetros do nível da água seriam reduzidos, lembrando que o nível passou para mais de cinco metros”, informa Belém.

Outro cenário simulado durante a pesquisa foi a dragagem da região entre o Guaíba e a Lagoa dos Patos, mas, de acordo com o professor, o resultado seria o mesmo da abertura do canal. “Não resolveria o problema, mas seria uma solução mais barata que o canal”, avalia o professor.

Para Amado, a melhor forma de lidar com as inundações é investir no sistema já existente contra enchentes da capital gaúcha, como defendido por especialistas na época das tempestades. “O que enxergamos como solução para esse problema, e o que acho que é unanimidade no meio técnico de quem trabalha com hidráulica e hidrologia, é: Porto Alegre hoje já possui um sistema bastante robusto de proteção contra enchentes e alagamentos, o problema é que esse sistema não funcionou por falta de manutenção”, ressaltou.

“Esse sistema foi pensado para proteger a cidade após a cheia de 1941, a maior da história do Rio Grande do Sul até aquele momento, só que, como não havia manutenção há décadas, as pessoas fechavam as comportas, mas as borrachas de vedação não funcionavam, depois não conseguiam abrir para a água sair da cidade e as bombas das estações de bombeamento não ligavam”, relembra o professor. “Foi uma questão de falta de manutenção, porque como não houve cheias parecidas, o sistema não foi colocado para funcionar. Se tivesse funcionado, pesquisadores da região garantem que teria resolvido o problema e não teria tido o mesmo transtorno”, afirma Amado.

 

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4 Comentários
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Rogério Nichele
23 de setembro de 2024 12:26

Triste cenário o relatado pelo Jornalista “X” que sequer assina a reportagem do Jornal o Sul. Abrir as calhas não funciona (segundo a modelagem da UFF apoiada pela UFRGS/IPH), desassoreamento também não funciona (mas o Estado força os mineradores a retirarem a lama e explorarem as jazidas de areia), e some-se a isso o Laudo dos Holandeses de que o sistema de proteção de POA foi mal projetado e é ineficiente (um álibi para não personificar o responsável pelas mortes e prejuízos), enfim… Tem um poço no porão. As calhas são “SIM” a solução, acredito nisso porque modelei e nos… Leia mais »

Alessandro Favero
23 de setembro de 2024 12:56

É impressionante que essa patota esquerdista sempre são do contra, gostam de impor barreira a qualquer CUSTO. NUNCA apresentam uma solução pra nada colocam sempre a culpa na mudança climática e o desmatamento. Vou dar uma sugestão a essas entidades DEVERIAM apresentar uma SOLUÇÃO ao INVÉS de serem CONTRA uma solução mesmo que o preço seja alto para salvar vidas humanas. Se for por essa lógica apresentada a Holanda jamais seria um País.

Rogério Nichele
23 de setembro de 2024 21:25

Inicialmente Alessandro, o Governador falava em prejuízos da ordem de cerca de 12 Bilhões de R$, mas hoje segundo o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Banco Mundial e Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) o prejuízo chega a R$ 87 bilhões. O estudo da UFF não tem credibilidade, pois os alunos do referido professor premiado, em outras entrevistas, dizem que NUNCA MODELARAM, que essa seria a primeira vez. Usaram o nome do IPH/UFRGS mas nenhum professor daqui assinou embaixo desse estudo. SEQUER o artigo foi liberado ao público. E afirmar que o desassoreamento é mais barato… Leia mais »

Rolando Alvarez
23 de setembro de 2024 13:17

Como leigo pergunto: e o custo da enchente foi quanto? me parece que tem ideologia nesse parecer, sacramentar que não funciona uma coisa que parece lógica, sei lá. Apresente alternativas então!, com menor custo e eficiência.

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