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Geral Novo presidente da Caixa quer abrir agências e descarta corte acentuado nas taxas de juros do banco

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Carlos Vieira entrou no lugar de Rita Serrano, demitida por Lula em outubro. (Foto: Divulgação)

O governo passou o comando da Caixa Econômica Federal aos partidos do Centrão em troca de apoio no Congresso, demitindo uma mulher na presidência do banco, Rita Serrano. Para a vaga foi nomeado Carlos Antônio Vieira Fernandes. Graduado em Estudos Sociais pela Universidade Federal da Paraíba, Vieira é funcionário aposentado do banco, por onde passou por vários postos. Ele é uma indicação do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Em entrevista ao jornal O Globo, a primeira desde que foi anunciado, Carlos Vieira minimiza o loteamento político da Caixa, alegando que vai priorizar a competência na composição da sua equipe. Diz que é uma dinâmica natural entregar cargos para o Centrão, e afirma que não se pode julgar executivo “porque é ligado a A, B ou C, mas se ele é competente”.

Ele afirmou ainda que deve abrir novas agências, caminho diferente do que vem sendo adotado especialmente por bancos privados. Diz também não ser necessário fazer cortes muito acentuados nos juros do banco porque não é a taxa que traz o cliente para a instituição. Mas diz que Lula pediu para a Caixa ser indutora de crescimento. Leia abaixo alguns trechos da entrevista.

– Como blindar a Caixa de escândalos ocorridos no passado, de corrupção e acusações de assédio sexual e moral? “O meu processo de gestão passa por três fatores que são: ter resultado, satisfação do cliente e dos colaboradores. Sou um servidor público, estou aqui a serviço do governo, da sociedade. Não pretendo a essa altura do campeonato macular a história que construí por onde passei. Fui secretário-executivo de ministérios por cinco anos e presidente do terceiro maior fundo de pensão do país, a Funcef, e nenhuma das questões colocadas fizeram parte da minha vida.

– Está preparado para lidar com as pressões de políticos na Caixa?A pressão política por onde passei nos ministérios é muito maior do que aqui. Fui gestor num ministério (das Cidades) que tinha 70% do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), as emendas vinham de lá. A Caixa é apenas a executora da política pública. Ela é contratada pelo governo. Sobre isso, eu me sinto muito confortável.”

– O que Lula pediu?Ele entende que a Caixa é um banco social, ele quer que a gente gere a governança devida, gere resultados como um banco social e que procuremos ser indutor de crescimento. A Caixa por ser um banco oficial precisa dar crédito, como fez em 2008, na crise financeira internacional, em uma ação anticíclica adotada pelos bancos públicos com êxito no segundo governo Lula.”

– A Caixa vai ressuscitar essa política?Vivemos um momento diferente de 2008, temos uma economia tradicional e uma nova economia impulsionada pelo movimento digital. Temos 150 milhões de pessoas que têm relações com a Caixa, mas precisamos potencializar essa base, fazer o mesmo que as instituições financeiras entrantes estão fazendo.”

– Com a trajetória de queda na Selic, a Caixa fará cortes mais acentuados nas taxas de juros?Temos que competir com outros bancos em relação aos produtos de mercado e, por sermos um banco social, ter uma relação diferente como o acionista em relação aos outros, podemos oferecer taxas mais competitivas. Mas não precisamos fazer cortes muito acentuados porque não é a taxa que vai fazer com que o cliente venha para nós, é um conjunto, preço, praça, propaganda, ponto de venda e promoção. A Caixa também precisa trabalhar o marketing de relacionamento para que as pessoas se sintam estimuladas a consumir nossos produtos.”

– Vai abrir novas agências e realizar concursos? “Devemos abrir, mas mais do que isto é descobrir a vocação das agências. Não posso forçar uma agência, localizada em um lugar não propício à venda de cartão e sim fazer programas sociais, ter alta rentabilidade. Vamos mudar o modelo de avaliação das agências. Não vejo problema em abrir agências e fazer concurso público. Temos de ter consciência sobre fazer o papel social e ao mesmo tempo, ter um resultado que justifique toda ação de um banco.As informações são do jornal O Globo.

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