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Economia Número de trabalhadores com carteira assinada que pedem demissão alcançou, pela primeira vez, a marca de 9 milhões em 12 meses

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Trabalhadores buscam salários maiores ou qualidade de vida. (Foto: ABr)

O ano de 2025 foi de recordes no mercado de trabalho, com o desemprego recuando ao menor patamar já registrado, de 5,2% em novembro, e a renda avançando 4,5%, segundo dados do IBGE. Um sintoma desse aquecimento é o número de trabalhadores que pedem demissão no mercado formal: alcançou, pela primeira vez, a marca de 9 milhões nos últimos 12 meses terminados em outubro do ano passado.

Segundo levantamento do economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, com base nas estatísticas do Ministério do Trabalho, a rotatividade chegou a 36%, marca que foi alcançada no fim de 2024 e se manteve ao longo de todo o ano de 2025 e que é a mais alta já registrada. Em 2013, quando a atividade econômica também estava aquecida, essa parcela de empregados que pediam demissão era de 28,6%.

“Se a pessoa está se desligando, muito possivelmente é para se admitir em outro lugar em condições mais vantajosas. Não necessariamente no mercado de trabalho formal. Pode querer empreender ou estudar. Ele sai por algo que ele enxerga que é mais vantajoso”, diz Imaizumi.

Analistas afirmam que essa situação cria dificuldade adicional para reter e qualificar profissionais, num mercado em que já faltam trabalhadores em vários setores. Imaizumi afirma que, como há uma parcela relevante de trabalhadores com baixa qualificação, é mais fácil pular de um emprego para outro, mesmo que em áreas diferentes, desde que não exijam muita formação. “É um fator estrutural que ajuda a explicar a alta rotatividade no Brasil”, explica.

Disputa por qualificados

Elisa Jardim, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half, acrescenta que a oferta de vagas está muito grande, mas o número de profissionais qualificados disponíveis nunca foi tão baixo.

Segundo pesquisa da consultoria, enquanto 44% das empresas ainda registram rotatividade inferior a 5%, o número das que enfrentam turnover acima de 10% — nível considerado alto — foi o que mais cresceu, chegando a 28% das empresas.

“O desemprego historicamente baixo intensifica essa disputa por profissionais qualificados, fazendo com que a confiança desses trabalhadores para negociar seja maior”, observa Jardim.

Nesse contexto, embora as empresas estejam contratando profissionais mais produtivos, os salários acabam crescendo acima da produtividade. Economista e pesquisador do FGV, Ibre Fernando de Holanda Barbosa Filho explica que, nessa situação, há uma perda para os empregadores.

“Quando o profissional fica mais tempo em uma mesma empresa, há o learning by doing. Ele fica mais produtivo, entende melhor os processos. Nos nossos primeiros empregos, a gente não sabe exatamente o que fazer. Depois de algum tempo, você sabe como todo o processo funciona e se torna mais produtivo”.

Como explica Jardim, da Robert Half, quando funcionários em cargos importantes não permanecem na companhia, isso acaba afetando todo o time e prejudicando a empresa: “Muitas vezes, as pessoas saem sem dar um tempo para fazer uma passagem de bastão para o novo empregado. Com esse profissional, que é chave na estrutura, vai-se o conhecimento que ele adquiriu. Isso é crítico para as empresas”.

Acomodação do mercado

Diante disso, as empresas tendem a se esforçar para manter — ou recuperar — seus funcionários. Foi assim que E.M., de 47 anos, voltou para a companhia da qual tinha saído. Atualmente, ele é supervisor operacional de uma empresa do ramo de cabeamento estruturado, atuando com infraestrutura de TI.

O paulista conta que trabalhou nesta empresa por sete anos, de 2015 a 2022. Nos últimos três anos, ele fez vistorias para outras empresas e esteve empreendendo na área, instalando componentes de segurança.

Há seis meses, voltou à empresa, após ser chamado para iniciar um projeto no Rio de Janeiro e, futuramente, implantar na cidade a primeira filial fora do estado de São Paulo. Para ele, a principal motivação para mudar de emprego — e de cidade — foi a proposta que recebeu.

Segundo Imaizumi, embora a rotatividade tenha chegado ao seu maior patamar em 2025, o ritmo das demissões voluntárias já está dando sinais de que deve se acomodar em breve:

“Acho que as pessoas agora já estão mais alocadas onde deveriam estar. Porque, na pandemia, muitos ficaram em empregos em que não gostariam de estar para não ficarem desempregados. Mas isso foi aos poucos se ajustando nos últimos anos. Em 2025, devemos ver o recorde em números absolutos de desligamentos voluntários, mas, para 2026, talvez fique um pouco menor”.

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