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Rio Grande do Sul Número de transplantes de órgãos, tecidos e medula cresce 20% no Rio Grande do Sul

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Estado ocupa o quinto lugar no ranking nacional de doadores. (Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)

Ao longo de 2023, o Rio Grande do Sul registrou 2.240 transplantes de órgãos, tecidos e medula, 20% a mais que no ano anterior. A estatística consta em balanço divulgado nessa terça-feira (27) pela Secretaria da Saúde. Outro dado relevante é o quinto lugar do Estado no ranking nacional de doadores, perdendo apenas para São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.

O governo gaúcho avalia os dados como significativos, sobretudo se comparados ao cenário de brusca retração na quantidade de procedimentos desse tipo durante o auge da pandemia de covid. “Tivemos um aumento significativo nos transplantes de rim e coração, respectivamente com 27% e 33%”, destacou a diretora da Central Estadual de Regulação, Suelen Arduin.

Conforme o assessor técnico da Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, James Cassiano, a alta pode ser atribuída a um maior engajamento e compreensão do assunto pela sociedade, que já demonstra maior consciência sobre importância do consentimento familiar para que a doação se concretize. Ele também mencionou a capacitação dos profissionais da saúde, inclusive para abordagem de familiares.

O cirurgião torácico José Camargo, que também é diretor do Centro de Transplantes do Hospital Dom Vicente Scherer, do Complexo Santa Casa, explicou que, para aumentar a captação de órgãos, é preciso que haja mais notificações de mortes encefálicas. “São notificadas menos de 70% das mortes encefálicas. Com essa subnotificação estamos negando às famílias o direito de se manifestarem”, disse.

Plano Estadual

Durante o evento também foi apresentado a nova página da Central de Transplantes (saude.rs.gov.br) o “Plano Estadual de Doação e Transplantes do Rio Grande do Sul (2024–2027)”. O documento detalha perspectivas e metas para o período

“Esse plano faz um alinhamento do cenário dos transplantes do Estado e concede uniformidade ao processo, para que todos os envolvidos possam trabalhar da mesma maneira, com qualidade no serviço”, frisou James Cassiano.

Ele acrescentou que o objetivo é vencer o desafio de atender a demanda por transplantes. “Os dados ressaltam a necessidade contínua de preencher a lacuna entre a oferta e a demanda de órgãos no Rio Grande do Sul”, finalizou.

No encerramento, o transplantado de pulmão Edelbert Kruger recebeu uma homenageado especial, com a camiseta da campanha “O Amor Vive: Seja Um Doador de Órgãos”. Ele falou, emocionado, que luta pela causa da doação desde que saiu da sala de cirurgia: “Somos todos doadores”.

(Marcello Campos)

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