Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 10 de julho de 2017
O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) negou em depoimento nesta segunda-feira (10) ter cobrado 5% de propina sobre os grandes contratos do Estado.
Em fala enfática ao juiz Marcelo Bretas, o peemedebista classificou a acusação como “maluquice”.
Cabral voltou a afirmar que se apropriou de sobras de caixa dois de campanha. Mas negou ter dado contrapartida às empresas que contribuíram às suas campanhas.
“Nunca houve propina! Nunca houve 5%! Que maluquice é essa? O Ministério Público tem sido injusto comigo em relação a isso”, disse o ex-governador.
Cabral depôs em processo em que é acusado de lavagem de dinheiro por meio de concessionárias de carro. Resultado da Operação Mascate, a ação penal trata da atuação de Ary Ferreira da Costa Filho, ex-assessor do peemedebista.
Foi a primeira vez que ele respondeu às perguntas do juiz. Nos dois primeiros depoimentos, ele só respondeu os questionamentos da defesa.
O peemedebista negou que tenha responsabilidade sobre a movimentação financeira do ex-assessor. Em depoimento, Filho declarou que recebeu entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões de sobras de caixa dois, com os quais adquiriu imóveis.
Cabral não reconheceu ter repassado todo esse valor. “Após a campanha, pode ter havido algum pagamento. Mas esse valor eu não reconheço. Talvez menos que 15% disso”, afirmou ele.
Supermercado
Lava Jato no esquema Cabral. Ele disse que o Supermercado Prezunic e a cervejaria Itaipava, já citada em outras investigações, repassaram R$ 5 milhões em dinheiro vivo às campanhas do ex-governador.
O peemedebista confirmou que elas contribuíram para as disputas eleitorais, mas não confirmou os valores. Negou que tenha dado contrapartida às empresas, citando inclusive multas aplicadas a elas pela Secretaria de Fazenda.
“Basta o governante ter o discernimento de um momento do outro”, disse Cabral, sobre os momentos de pedir ajuda eleitoral e tomar decisões administrativa.
Cabral responde a 12 ações penais sob acusação de lavar o dinheiro obtido por meio de propina.
Relembre o caso
De acordo com o Ministério Público Federal do Rio, o “objetivo é o de aprofundar investigações sobre organização criminosa chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral –dedicada à prática de atos de corrupção e lavagem de dinheiro, composta por dirigentes de empreiteiras e políticos do alto escalão do governo do Rio”.
A investigação tem origem nos trabalhos da operação Saqueador, que prendeu o empreiteiro Fernando Cavendish, e nas colaborações de executivos da Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia.
“As investigações apontam para a prática de corrupção na contratação de diversas obras conduzidas no governo de Sérgio Cabral, entre elas, a reforma do Maracanã para receber a Copa de 2014, o denominado PAC Favelas, cujas irregularidades foram antecipadas em reportagem do jornal a Folha de S. Paulo e o Arco Metropolitano, financiadas ou custeadas com recursos federais”, diz o MPF do Rio.
A propina paga é avaliada, “em patamar preliminar”, em R$ 224 milhões.
“Foi identificado que integrantes da organização criminosa de Sérgio Cabral amealharam e lavaram fortuna imensa, inclusive mediante a aquisição de bens de luxo, assim como a prestação de serviços de consultoria fictícios”, diz a procuradoria.
De acordo com a força-tarefa no Rio, Cabral recebia mesadas da Andrade Gutierrez e da Carioca. Os valores mensais chegaram a R$ 500 mil. Empreiteiras também relataram o pagamento de uma “taxa de oxigênio” no valor de 1% sobre os projetos ligados à Secretaria de Obras, comandada por Braga.
“Partindo do pressuposto que a propina era solicitada no patamar de 5 mais 1%, ou seja, 5% para o governador Sérgio Cabral e mais 1% de uma denominada ‘taxa de oxigênio’ que era destinada à subsecretaria de Obras, conduzida pelo investigado Hudson Braga, foi possível fazer uma estimativa de que houve solicitação de propina não só da Andrade Gutierrez, mas também de todas as empreiteiras que participaram desse consórcio”, afirmou Lauro Coelho Júnior, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Rio, em entrevista coletiva nesta manhã.
Há ainda suspeita de pagamento de propina a Cabral nas obras de terraplanagem do Comperj, em Itaboraí. (Folhapress)
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