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Economia O apoio da população a caminhoneiros causou perplexidade, disse revista inglesa, afirmando que a indignação geral com a classe política fomentou o apoio

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(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O apoio da população à paralisação dos caminhoneiros causa perplexidade, disse reportagem na revista inglesa The Economist.  O que explica o sentimento favorável às manifestações é o fato de que os brasileiros ainda pagam impostos altos e não recebem serviços de qualidade em troca e, devido aos escândalos de corrupção, têm um sentimento de indignação generalizada contra a classe política, segundo a publicação.

A reportagem, publicada na edição que vai às bancas neste sábado, aponta que o presidente Michel Temer cedeu à pressão da categoria (“caminhoneiros autônomos usando o WhatsApp”) para evitar o colapso político e econômico do país.

A presença de apoiadores de uma eventual intervenção militar entre os caminhoneiros também foi tratada com surpresa pelo jornal britânico Guardian. De acordo com a publicação, o assunto é “profundamente polêmico no Brasil, que viveu sob uma ditadura militar por 21 anos, durante a qual centenas de inimigos do regime eram executados e torturados”, diz a reportagem da última quarta-feira.

O jornal também afirma que o clima de desconfiança causado pelos escândalos de corrupção recentes fortaleceu o movimento daqueles que defendem uma intervenção militar.

Pesquisa

Pesquisa telefônica feita pelo Datafolha com 1.500 pessoas apoiou a greve. A margem de erro do levantamento é de três pontos para mais ou para menos. Aprovaram o movimento 87% dos entrevistados. São contrários 10%, enquanto 2% se dizem indiferentes e 1% não souberam opinar. Já 56% dos entrevistados acham que a paralisação deveria seguir, contra 42% que eram a favor de seu fim.

O apoio aos caminhoneiros é bastante homogêneo levando em conta as regiões do país, baixando um pouco entre os mais ricos e os mais velhos.  

Dando razão à análise de que há uma solidariedade difusa com o sentimento de injustiça tributária, consideram o pleito dos caminhoneiros justo 92%, índice que é de 57% mesmo entre aqueles que são contra o movimento.

Ainda assim, para 50% os caminhoneiros são mais beneficiados do que prejudicados pelo que eles chamam de greve – o governo trabalha com a hipótese de parte do movimento ter sido estimulado por donos de transportadoras. Esses, por sua vez, têm mais prejuízos, na visão de 60% dos ouvidos.

Já o cidadão se vê mais prejudicado (43% a 33% dos que se acham mais beneficiados) pessoalmente. Acham que o “brasileiro em geral” é mais prejudicado 56% dos ouvidos.  A pesquisa aferiu que o brasileiro não concorda em ser penalizado com aumento de impostos e corte de gastos federais para atender às reivindicações dos caminhoneiros.

Aprovam tais medidas, anunciadas de forma genérica dentro de uma paleta bastante variada de itens, apenas 10% dos entrevistados. São contrários 87%. Os entrevistados consideram que o governo vai favorecer empresários e caminhoneiros, e prejudicar mais a população.

Como seria esperado em relação ao governo de Temer, o mais impopular da história da redemocratização brasileira, a condução da negociação até aqui é aprovada só por 6% dos ouvidos, contra 77% que a desaprovam. Para 16%, ela foi regular, e 2% disseram não saber avaliar.

 Para 96%, o presidente demorou para negociar, contra 3% que acham que ele o fez no momento certo. Uma das principais críticas ao governo desde que o movimento eclodiu foi a falta de informação prévia acerca de sua gravidade potencial.

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