Sexta-feira, 10 de Abril de 2020

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Brasil O auditor fiscal preso foi cotado para ser o secretário-geral da Receita Federal

Por meio da Receita Federal e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o governo está cobrando tributos que totalizam R$ 1,506 bilhão. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O auditor fiscal Marco Aurélio Canal, preso por extorquir investigados da Operação Lava-Jato, chegou a ser cotado para ocupar o cargo de secretário-geral da Receita Federal.

O nome dele foi apresentado ao ministro Paulo Guedes, da Economia — que acabou escolhendo o economista Marcos Cintra para cargo.

Canal integrava a equipe da Lava-Jato e gozava de bom conceito entre a categoria.

Operação Armadeira

O Banco Central informou ao juiz Marcelo Bretas que o auditor fiscal Daniel Gentil e sua mãe, Sueli Gentil, presos nesta quarta-feira (2) na Operação Armadeira, têm R$ 13,9 milhões depositados em 11 contas bancárias.

Desse montante, R$ 10,9 milhões foram encontrados na conta de Sueli. Os outros R$ 3 milhões, na conta de Daniel. Os valores foram bloqueados por determinação de Bretas.

A família Gentil é apontada pelo Ministério Público Federal como a responsável pelo intrincado esquema de lavagem de dinheiro de suspeitos no esquema, entre eles Marco Aurélio Canal, supervisor nacional da Equipe Especial de Programação da Lava-Jato — grupo responsável por aplicar multas aos acusados da operação por sonegação fiscal. Daniel Gentil era subordinado a esse setor.

O grupo foi preso sob suspeita de extorquir dinheiro de investigados na Lava-Jato. Em troca, eles anulariam multas por sonegação fiscal decorrentes de fatos descobertos pela operação.

Canal é suspeito de ter atuado na cobrança de propina de R$ 4 milhões junto à Fetranspor (federação das empresas de ônibus do Rio de Janeiro) e no recebimento de € 50 mil de Ricardo Siqueira Rodrigues, acusado na Operação Rizoma.

O advogado Fernando Martins, que representa Canal, pediu ao juiz Marcelo Bretas para que o investigado não seja levado para Bangu 8, onde ficam os réus da Lava-Jato, em razão de sua atuação nos procedimentos da operação.

O Ministério Público Federal apontou indícios de que bens usados pela família de Canal estão em nome de empresas ligadas a outros auditores, especialmente Daniel Gentil.

É o caso da cobertura em que, segundo a investigação, a família mora na avenida Lúcio Costa, orla da Barra da Tijuca. O imóvel está em nome da empresa B. Magts, cuja única sócia é Sueli. A Polícia Federal afirma não ter identificado pagamento de aluguel aos proprietários.

A empresa ligada à família Gentil também é proprietária de dois veículos (Honda Fit e Mitsubishi Outlander) usados pela filha e pela mulher de Canal, segundo a investigação. O carro Volkswagen Golf, utilizado pelo ex-supervisor da Receita, está em nome de uma empresa de um amigo dele.

A Procuradoria afirma que os investigados utilizaram uma técnica de “lavagem cruzada” a fim de dificultar as investigações.

Em apurações anteriores, o crime de lavagem de dinheiro costumava ser cometido em nome de parentes. As informações sobre os reais proprietários dos bens só foram colhidas após monitoramento de agentes da Polícia Federal.

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