Terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de janeiro de 2026
Relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) pretende apurar os vínculos do Banco Master com integrantes dos Três Poderes, a partir de requerimentos formais de acesso a documentos. Um dos primeiros passos será a solicitação da relação completa de gastos da instituição com bancas de advocacia. “As notícias apontam um gasto de quase R$ 1 bilhão em dois anos. Eu preciso dessa relação”, disse.
Vieira destacou, em entrevista ao Ponto de Vista, da revista Veja, que parte desses contratos chama a atenção pela ausência de contraprestação evidente. Como exemplo, citou pagamentos de cerca de R$ 4 milhões mensais ao escritório da família do ministro Alexandre de Moraes. “Você não consegue encontrar praticamente nenhum ato concreto. Se esse é provavelmente o contrato máximo, qual é a contraprestação?”, questionou. Para o senador, contratos dessa magnitude são raríssimos no mercado jurídico e, sem justificativa clara, tornam-se “escandalosos”.
O relator ressaltou que a CPI não fará julgamentos antecipados, mas que os casos precisarão ser analisados com base em fatos e documentos. “Eventualmente, eles podem demonstrar que prestaram relevantes serviços à empresa. Então a gente vai fazer essa apuração”, afirmou, dizendo confiar na capacidade do Senado de conduzir a investigação.
Vieira também criticou a postura da Procuradoria-Geral da República, que, segundo ele, ‘fechou os olhos’ e se omitiu diante das suspeitas. “Quando você tem essa omissão do PGR, o caminho que resta é o da Comissão Parlamentar de Inquérito”, disse. Ele mencionou ainda o encontro do presidente Lula com o ministro Dias Toffoli, classificando como inadequada a discussão de um processo irregular dentro do Supremo entre um chefe do Executivo e o relator do caso.
Questionado sobre convocações, o senador afirmou que todas são possíveis, inclusive de empresários e personagens centrais do caso. “Esse relacionamento ocupou o Supremo, o Executivo e o Legislativo. Durante alguns anos, o Banco Master foi uma imensa vaca leiteira que serviu a todos”, afirmou. Para ele, apenas uma apuração rigorosa permitirá identificar o grau de infiltração e as eventuais contrapartidas. “Essa vaca leiteira pagou milhões e milhões. A que título? Com que benefício? Só a investigação séria pode responder.” As informações são da revista Veja.