Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de fevereiro de 2026
O Banco Master se beneficiou de uma negociação fraudulenta ao comprar um precatório de uma usina do Grupo João Santos, que entrou em recuperação judicial, e incorporar o ativo em seu balanço enquanto atuava no mercado financeiro. O dinheiro arrecadado com a venda foi enviado por antigos donos do conglomerado para o exterior em movimentações suspeitas, indicam documentos obtidos pelo Estadão.
O antigo dono do grupo, Fernando Santos, disse que o negócio ocorreu nos parâmetros de mercado, levando em conta a situação do processo no momento. Já a atual gestão afirmou que a decisão foi tomada pela diretoria anterior de forma isolada e que a operação deixou prejuízo de R$ 1,8 bilhão na empresa. O dono do Master, Daniel Vorcaro, não se manifestou.
Em setembro de 2025, a Justiça Federal de Pernambuco reconheceu a fraude na operação: com débitos com a União, a empresa não poderia ter transferido o valor a receber. O crédito foi bloqueado, impedindo o Master de repassar o ativo.
A operação envolve um precatório bilionário do Grupo João Santos, um dos maiores conglomerados do País até o início dos anos 2000, que foi parar no banco de Vorcaro após ser vendido por menos de 20% do seu valor. Trata-se de um direito creditório – no jargão financeiro, um “pré-precatório”. É um dinheiro que uma empresa tem a receber da União e cujo processo ainda não tramitou de forma definitiva na Justiça.
O Master, liquidado pelo Banco Central em novembro, comprou esse tipo de crédito enquanto emitia CDBs prometendo rentabilidade muito acima da oferecida no mercado.
A origem do precatório vem de uma condenação da União para indenizar as usinas do setor sucroalcooleiro que tiveram prejuízos na fixação de preços pelo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) entre junho de 1989 e maio de 1994. O governo foi condenado a pagar os prejuízos em 2012, mas continuou contestando a decisão e o processo se arrasta até hoje.
Uma das beneficiadas pela indenização foi a Companhia Agro Industrial de Goiana (Caig), dona da Usina Santa Tereza, em Pernambuco, empresa do Grupo João Santos. A União foi condenada a pagar R$ 983 milhões para a usina, dos quais R$ 171 milhões já não são mais questionados e o restante ainda está em discussão. O valor total do precatório cresceu, em razão do tempo e das atualizações, e hoje é calculado em R$ 2,2 bilhões.
Antigo controlador do grupo, Fernando Santos negociou a venda do ativo para o Master (na época, chamado de Banco Máxima). As transferências ocorreram de forma fracionada em diversas parcelas, durante 2019 e 2020, para uma cadeia de fundos de investimento que tinham o Master por trás. São eles: Amazonita, Luna, Noruega, Atenas, Dublin e Horizon.
No caso dos fundos Amazonita e Horizon, o Master era o cotista majoritário, conforme documentos entregues pela CVM) à Justiça. Nos demais, o crédito entrou nos fundos e depois foi transferido para o Master ou para outros fundos ligados ao banco. A suspeita é de que todos tenham sido usados pelo Master para fazer operações no mercado financeiro.
O conglomerado pernambucano recebeu R$ 180 milhões com a venda, quando o precatório já valia R$ 1 bilhão. Os fundos, por sua vez, venderam os papéis para o Master, conforme documentos entregues pelo Grupo João Santos e pelo Master à Justiça. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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