Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Geral O bloco secreto da polícia disfarçada: em São Paulo e no Rio, agentes de segurança se fantasiaram para reprimir crimes no carnaval

Compartilhe esta notícia:

Policiais usaram fantasias de personagens do “Scooby-Doo” para prender criminosos em blocos de Carnaval de São Paulo. (Foto: PC-SP/Divulgação)

Enquanto os foliões se distraem nas ruas do País durante o carnaval, um time reforçado por super-heróis e personagens conhecidos do cinema, da TV e dos quadrinhos ficou de olhos bem abertos nos blocos de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. São policiais à paisana, infiltrados com suas fantasias na multidão, com o objetivo de abordar suspeitos de furto e roubo de celulares, além de golpistas que se aproveitam da festa para clonar cartões de crédito. A estratégia para pegar de surpresa os criminosos foi adotada com frequência pelas forças de segurança na folia deste ano.

Em São Paulo, agentes da Polícia Civil apostaram em fantasias que vão de Scooby-Doo e Caça-Fantasmas a E.T. e Chapolin para se camuflar. A tática já havia sido testada no carnaval passado, mas foi ampliada em 2026 e posta em prática já nos primeiros festejos do pré-carnaval, em 31 de janeiro. A medida faz parte de uma ação maior, de reforço no policiamento durante as festas – apenas uma parte dos agentes fica infiltrada, enquanto outros policiais circulam pelos arredores e ficam em posições estratégicas. A ação foi coordenada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da capital.

Nos blocos, são cerca de seis a oito policiais disfarçados. Os locais são escolhidos com base em análises de inteligência, priorizando as concentrações históricas de delitos e o número maior de foliões. Entre os priorizados, destacam-se os megablocos em circuitos como o Ibirapuera e a República. Já as fantasias dos agentes precisam aliar um bom disfarce ao conforto necessário para que os policiais exerçam suas funções reais nos blocos.

“Com os policiais disfarçados é possível atuar de forma preventiva e repressiva. As fantasias são selecionadas com planejamento, priorizando personagens e trajes que se integrem ao perfil dos blocos e do público. Elas também levam em conta critérios operacionais, observam o conforto e a segurança adequados para o ambiente carnavalesco”, diz Sandra Buzatti, delegada do DHPP.

Entre segunda-feira e a noite de domingo, policiais civis fantasiados de Minions, personagens da franquia Meu Malvado Favorito, prenderam quatro suspeitos de furto e tráfico de drogas em blocos na República, região central de São Paulo, e no Ibirapuera, região centro-sul. Ainda na República, os agentes também se fantasiaram do elenco do Chaves, entre eles a Chiquinha, o personagem-título e o Kiko, no domingo. Na ocasião, três homens foram presos pelos agentes disfarçados pela venda de drogas no local. Além disso, duas mulheres foram detidas por receptação de celular furtado. Os casos foram registrados no 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, e no 78º DP, no Jardim América.

No sábado, as fantasias escolhidas faziam referência a Scooby-Doo. Policiais vestidos de Velma, Salsicha, Daphne e Fred prenderam, em flagrante, três suspeitos de furtar celulares durante um bloco no Centro. Ao todo, foram encontrados oito aparelhos de diferentes marcas dentro de uma pochete usada por uma das suspeitas – eles foram apreendidos e passarão por perícia antes de serem devolvidos às vítimas. Os agentes apreenderam ainda cigarros de maconha, pinos de cocaína, ampolas de lança-perfume e dinheiro em espécie.

Disfarçados, os policiais perceberam que um grupo formado por duas mulheres e um homem se aproveitava da aglomeração para pegar os aparelhos dos foliões distraídos. Nesses casos, a abordagem se dá justamente a partir da observação do comportamento dos suspeitos. Buzatti explica que um fator que chama a atenção é quando os indivíduos estão circulando, mas sem efetivamente participar do bloco, mais atentos às bolsas, bolsos e mochilas dos foliões do que interessados em curtir a festa.

“Eles se aproximam reiteradamente de vítimas distraídas, tudo isso é analisado pelos policiais. Na nossa avaliação, o resultado é extremamente positivo porque essa estratégia utilizada pela Polícia Civil tem aumentado as prisões de flagrantes, reduzido furtos e ampliado a sensação de segurança dos foliões”, acrescenta a delegada.

Os agentes, entretanto, não agem só quando há flagrante: também há casos em que o alvo são pessoas procuradas ou foragidas da Justiça. Esta avaliação é feita mediante pesquisa nos sistemas da Polícia Civil e federais ou quando câmeras de reconhecimento facial alertam para a presença de algum alvo nas redondezas. Até o momento, 26 pessoas foram presas por policiais fantasiados durante este carnaval em São Paulo.

Ao todo, até domingo passado, mais de 70 celulares roubados ou furtados durante os blocos realizados neste e no fim de semana anterior foram recuperados por agentes das polícias Civil e Militar na capital paulista e 47 pessoas foram presas por furto, roubo, tráfico, adulteração de bebidas ou cumprimento de mandados judiciais. O esquema especial de segurança no carnaval conta com cinco mil policiais militares por dia, além do uso de drones e câmeras com reconhecimento facial.

No Rio, policiais civis se disfarçaram de personagens da série “A casa de papel” durante um bloco em Santa Teresa. Os agentes viram quando uma mulher tomou um celular da mão de um folião, e passou rapidamente o aparelho para um comparsa. A dupla foi presa em flagrante e, com eles, havia outros cinco celulares roubados, que serão periciados. Os donos serão procurados para a devolução. Juntos, os dois criminosos somam 29 passagens pela polícia, a maior parte delas por furto. Outros policiais fluminenses também se fantasiaram de super-heróis, entre eles Batman e Capitão América, e de Jason Voorhees, do filme “Sexta-feira 13”.

O delegado Victor Tuttman, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) do Rio, que coordenou a ação, revelou contar com equipes atuando fantasiadas em diversos blocos da cidade. A ação também conta com drone para monitoramento aéreo.

“Os dois presos na sexta fazem parte de uma quadrilha especializada na prática de furtos de celulares. As vítimas tiveram os aparelhos subtraídos sem que notassem a ação dos criminosos”, reforçou o delegado.

De acordo com balanço divulgado pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, entre sexta (13) e domingo (15), foram realizadas 243 prisões e 30 adolescentes foram apreendidos em diferentes regiões do estado durante os festejos carnavalescos. Também foram apreendidos 48 celulares, cujos donos serão localizados para que possam recuperar os aparelhos. As informações são do jornal O Globo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Geral

Com medo de ter seu celular roubado, boa parte dos foliões usou câmera fotográfica no carnaval
Deixe seu comentário
Verificação de Email

Você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x