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Brasil “O Brasil corre sérios riscos neste ano eleitoral”, alerta o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan. Um dos responsáveis pelo Plano Real, ele ajudou a derrubar uma inflação anual de 5.000%

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Malan integra o Conselho Internacional do Itaú Unibanco. (Foto: Reprodução/Youtube)

O Brasil está sob riscos. O alerta é de Pedro Sampaio Malan, ministro da Fazenda nos oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Faltando 43 dias para a eleição presidencial, ele acredita que o País vive um “momento de inflexão” e que suas escolhas terão forte repercussão nos próximos anos.

Um dos responsáveis pela condução do Plano Real, que consolidou a nova moeda e derrubou uma inflação de 5.000% ao ano em 1994 (em 2017, o índice foi de 2,95%), Malan acha que o País deve revisitar o passado para evitar três riscos: uma parcela significativa do eleitorado optar pelo “messianismo salvacionista”; a crença no voluntarismo, “em que 2+2 podem ser 5 se houver vontade política para tal”; a ideia de que os problemas do Brasil podem ser tratados com um exercício de autoridade.

“Cada uma das três é preocupante, e as temos como ameaças pairando sobre o País e o seu futuro”, alerta Malan. O ex-ministro de 75 anos, atualmente presidente do Conselho Internacional do Grupo Itaú Unibanco, compara 2018 a outros pontos de inflexão: a eleição de Lula e a mudança da política econômica, em 2006, com a aceleração do processo de crescimento. Depois da crise de 2008, o Brasil redobrou a aposta em 2010.

“Foi uma decisão: o Estado teria um papel-chave a cumprir na promoção do desenvolvimento econômico e social. Parecia que tudo era possível porque desejado”, diz. “O problema é que o Estado não produz recursos.”

Tal como em 2002, quando havia desconfiança acerca do que seria um governo Lula, lembra Malan, o desafio agora é reduzir o grau de incerteza: “Sabíamos que o câmbio, que foi a R$ 4, poderia descer, dependendo das escolhas e das decisões tomadas. Como, de fato, desceu. O Brasil deu uma sinalização correta sobre o futuro”.

“Falta de autocrítica”

Malan ainda tem expectativa de que seja possível recuperar o clima de diálogo que marcou a transição 2002-2003, entre os governos tucano e petista.

“Fomos vistos e percebidos como capazes de uma transição com um partido de oposição sem que houvesse dramáticas mudanças, rupturas, experimentos heterodoxos, dando a ideia de um país mais previsível e maduro”, pondera. “O clima, porém, foi mudando gradualmente, com a decisão de usar governo, estatais, bancos públicos e fundos de pensão para um crescimento mais veloz.

Com esse olhar em retrospectiva, Malan considera importante haver maior compreensão da população sobre a real situação das contas públicas, inclusive dos Estados. “Falta também um grau de entendimento e de comprometimento com as medidas de curto, médio e longo prazos que precisam ser tomadas por parte de lideranças políticas, do Congresso”, ressalta, listando a reforma da Previdência como prioridade.

Para o ex-ministro, é preciso entender que esses não são objetivos em si mesmos, mas condições para que o país possa realizar aquilo que é desejo de todos: “Ninguém é contra o desenvolvimento, embora muita gente faça questão de tentar transformar isso em uma polaridade, o ‘nós e eles’. As escolhas não são binárias, maniqueístas”.

Ainda conforme o ex-ministro, o País é complexo demais para esse tipo de polarização: “O Brasil tem mequetrefes em todas as profissões, em todos os partidos, mas também há gente boa”.

Ele não esconde a angústia de ver assessores de candidatos ao Planalto dizerem que o desenvolvimento será retomado por meio do setor público, do investimento em infraestrutura, da expansão do crédito. “Isso acabou de ser tentado e não deu certo. Mas não querem discutir. Nunca houve autocrítica. Para certo público, a culpa é toda do governo Temer”, critica.

Há 15 anos longe de Brasília, Malan prefere não usar palavras como pessimismo ou otimismo. Define-se como um “realista esperançoso”. E recorre ao escritor argentino Jorge Luis Borges:

“Em ‘O Tamanho da Minha Esperança’, Borges diz que o futuro, antes de se converter em presente e, portanto, passado, realiza ensaios. São os sonhos, desejos, expectativas e temores de sucessivas gerações. Quer se realizem, quer não, são ‘memórias do futuro'”.

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