Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de março de 2018
O Brasil decidiu recorrer ao governo dos Estados Unidos da decisão do presidente Donald Trump de sobretaxar as importações de aço e alumínio. O País pedirá oficialmente para ser incluído na lista de exceções à tarifa, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Trump impôs tarifas de 25% sobre importações de aço e 10% sobre o alumínio na quinta-feira, com a justificativa de conter importações baratas, principalmente da China, o que descreveu como “um assalto ao país”.
O presidente disse, no entanto, que “amigos reais” dos Estados Unidos poderiam ganhar isenções das medidas, que entram em vigor após 15 dias. Canadá e México, membros do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, que está em renegociação, ficaram de fora da medida por tempo indeterminado.
O Brasil, que depois do Canadá é o maior fornecedor de aço para o mercado norte-americano, prepara recursos a dois órgãos do governo dos Estados Unidos, conforme o ministério. Os recursos serão apresentados ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos (instância governamental) e ao Representante de Comércio dos EUA (órgão responsável por desenvolver a política comercial do país). Os técnicos do governo brasileiro estão em contato com os norte-americanos para entender como funciona o processo. Os pedidos precisam ser encaminhados em até duas semanas.
Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, explica que, atualmente, já existe um excedente de 750 milhões de toneladas de aço no mercado mundial. Com a sobretaxa nos EUA, os 34 milhões de toneladas anuais importados pelos EUA aumentarão a oferta de aço e, consequentemente, a competição em outros mercados. Além disso, os preços tendem a cair. Para Marco Polo, as exportações brasileiras terão mais dificuldades, principalmente na América Latina.
O presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José augusto de Castro, também diz que vai ficar mais difícil para a indústria brasileira competir em outros mercados, já que as empresas brasileiras têm custos mais altos que os principais concorrentes. Ele alerta que outro risco será o aumento ainda maior das importações de semiacabados e acabados no País.
Para o presidente da AEB, o Brasil vai ser um dos alvos principais dos exportadores barrados nos EUA porque o país não tem qualquer sobretaxa ao aço. De acordo com o executivo, em 2017, as importações de produtos acabados de aço aumentaram 77% em relação ao ano anterior, saltando de 704 milhões de dólares, para 1,2 bilhão de dólares.
A apreensão se repete no setor de alumínio. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Alumínio, Nilton Rego, as exportações brasileiras de alumínio somam 1,5 bilhão de dólares por ano, sendo apenas 10% disso para os EUA. O maior risco, diz ele, são prejuízos às exportações para outros mercados, principalmente a América Latina.
O mercado refletiu as perspectivas das exportadoras de aço com a taxação de Trump. Desde o início dos rumores sobre a medida, em 23 de fevereiro, as três maiores siderúrgicas brasileiras – Usiminas, CSN e Gerdau – perderam 3,91 bilhões de reais em valor de mercado na Bolsa. Apesar disso, em relação ao efeito direto da decisão americana, as três companhias não devem ser tão afetadas.
No caso da Gerdau, concordam os analistas e a própria empresa, a medida pode até trazer benefícios. Isso porque a companhia tem varias unidades de produção América do Norte, principalmente nos EUA, de onde vieram pouco mais de 40% das receitas em 2017.
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