Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 1 de dezembro de 2017
A OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) faz uma projeção cautelosa do crescimento da economia brasileira para 2018 e 2019, por ver incertezas importantes no País. Em novo relatório sobre as perspectivas econômicas globais, a entidade projeta crescimento de 0,7% este ano e de 1,9% no ano que vem – abaixo da mediana das estimativas do mercado captada pela pesquisa semanal Focus, do Banco Central, atualmente em 2,58%. Para 2019, a entidade projeta alta do PIB de 2,3%.
Incerteza
Para o economista responsável pelo acompanhamento do Brasil, Jens Arnold, a projeção mais modesta se explica por “muita incerteza com respeito à implementação de reformas e também com o resultado das eleições de 2018”.
Ajuste fiscal
A entidade reitera que o ajuste fiscal, muito necessário, só será bem-sucedido se a reforma da Previdência for realmente implementada. A OCDE comenta que, após oito semestres consecutivos de queda, o crescimento no Brasil foi retomado – inicialmente com a agricultura, mas agora está se disseminando.
Reflexo
Para a entidade, a queda da inflação, de quase 11% ao ano para menos de 3%, reflete em parte a baixa dos preços de alimentos e a menor demanda. Em todo caso, eleva o poder de compra dos consumidores, o que por sua vez tem impacto na retomada de investimentos. A organização aponta ainda queda do crédito para as empresas, mas nota que o desemprego, que chegou a 14%, começou a diminuir.
Política monetária
A entidade considera que a queda da inflação justifica a política monetária mais flexível, que ajuda os investimentos e acha que a política fiscal deverá se tornar mais prudente em 2019 para assegurar a sustentabilidade fiscal no médio prazo, diante do alto e crescente endividamento público. A OCDE também insiste na importância de redução gradual de subsídios “inefetivos” para o setor industrial oferecidos por bancos públicos, considerando que isso inclusive reduz espaço para corrupção.
Recomendação
A entidade mantém a recomendação para que o Brasil remova barreiras no comércio internacional, reforce competitividade e inovação e reduza o chamado custo Brasil.
Economia global
De acordo com a Organização, a economia global está crescendo no ritmo mais rápido desde 2010, sustentada por estímulos fiscais e monetários, mas essa dinâmica pode continuar só por algum tempo. A entidade estima que o crescimento pode continuar se acelerando em 2018, mas alerta que pode diminuir em 2019, devido aos persistentes efeitos do desempenho modesto de investimentos, comércio internacional e produtividade.
Débito
A OCDE faz um alerta também em relação ao elevado débito das famílias e das empresas em vários países desenvolvidos e emergentes, o que cria vulnerabilidades e coloca em questão a sustentabilidade do crescimento no médio prazo.
Projeção
A entidade projeta crescimento global de 3,6% este ano, 3,7% no ano que vem e 3,6% em 2019, numa ligeira melhora em relação às estimativas de setembro. Nos EUA, a expansão é estimada em 2,2% este ano, 2,5% no ano que vem e 2,1% em 2019. Na zona do euro a projeção é de 2,7% este ano e 2,1% em 2018.
Emergentes
A expansão nas economias emergentes é mais suave do que no passado. Para a OCDE, a expansão da atividade nos emergentes tem sido dificultada pelo ritmo lento de reformas e por vulnerabilidades financeiras, como alto endividamento na China, por exemplo.
Índices
Para a economia chinesa, a entidade projeta crescimento de 6,8% este ano, de 6,6% em 2018 e de 6,4% em 2018. Na Índia, o esperado é 6,7% este ano, 7% em 2018 e 7,4% em 2019. Brasil e a Rússia saem da recessão, mas a expansão nos emergentes em geral continuará moderada em relação ao período pré-crise de 2008.
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