Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 13 de maio de 2020
Um novo estudo prevê que o Brasil poderá ter, até a primeira semana de agosto, cerca de 90 mil mortes causadas pela covid-19. E dependendo das medidas adotadas por gestores públicos no período, pode-se chegar até quase 194 mil óbitos. A análise é do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME, na sigla em inglês) da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e foi divulgado nessa quarta-feira (13).
A análise inclui previsões para oito dos 26 Estados brasileiros que foram os primeiros a ultrapassar a marca de 50 mortes, incluindo São Paulo. Para o Estado mais rico do País, a previsão é de até 37 mil mortes até agosto. Para o Rio, de até 21 mil mortes no mesmo período.
O instituto de pesquisa concluiu que as mortes neste período podem chegar a 88.305 no Brasil, com variação entre 30.302 e 193.786, dependendo das medidas adotadas pelos gestores públicos. A estimativa é para até 4 de agosto. A medida em que novos dados forem incluídos e analisados, os números podem mudar. Além disso, as análises futuras contarão com mais Estados brasileiros, anunciou a Universidade de Washington.
“As projeções do IHME para mortes no Brasil indicam claramente que o sistema de saúde do País está enfrentando um desafio assustador”, afirmou o diretor do IHME, Christopher Murray. “Nosso objetivo em anunciar esses resultados é informar aos gestores políticos a melhor forma de controlar e mobilizar para a covid-19.”
A mais recente previsão de evolução do novo coronavírus feito por professores da PUC-Rio projeta que o Brasil chegará, no dia 25 de maio, a 17 mil mortes e 250 mil infectados pela covid-19. O grupo calculou ainda que o País viveu um pico de infecções entre os dias 3 e 9 deste mês. Mas destaca que isso “não significa de forma alguma que a quantidade de novos casos por dia não poderá voltar a subir no futuro”.
O Brasil tem neste momento 188.974 infectados e 13.149 mortos, no acumulado, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados nessa quarta-feira.
Os coordenadores do projeto, Marcelo Medeiros e Alexandre Street, indicam que a doença está crescendo nos municípios mais pobres. Segundo os estudiosos, a doença chegou ao Brasil pelos municípios com maior IDH e agora está se espalhando pelos de menor taxa de desenvolvimento.
Os dados, coletados diariamente, consideram os casos confirmados e mortes para os próximos 14 dias. Segundo os pesquisadores, os resultados para o Brasil conferem uma estabilização de casos novos nos municípios de IDH alto, enquanto os de baixo índice estarão com o número crescente.
De acordo com a previsão, o número de novos casos diários segue uma tendência decrescente, indo de 7 mil nos próximos dias até menos de 4 mil na data limite da projeção. “Entretanto, a incerteza em cima destes números é grande e o número de novos casos pode chegar nos piores cenários à valores superiores a 20 mil em um único dia. Em um cenário como este, o total de casos acumulados chegaria próximo dos 290 mil no dia 25 de maio”, informa o documento.
A projeção para o número de mortes também segue a tendência de queda. O trabalho estimou que, no dia 25 de maio, serão 17 mil óbitos no total, podendo se aproximar dos 20 mil “nos piores cenários”. Nas próximas duas semanas, no número de mortes diárias, segundo a estimativa, ficará entre 300 e 600, podendo chegar a mil óbitos diários no pior cenário.
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