Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 7 de junho de 2018
O Brasil desperdiçou 38% da água potável nos sistemas de distribuição em 2016, o equivalente a quase 7 mil piscinas olímpicas cheias a cada dia. A perda financeira no ano foi de mais de R$ 10 bilhões. É o que aponta um estudo do Instituto Trata Brasil. O desperdício é causado por vazamentos nas tubulações, erros de leitura de hidrômetros, roubos e fraudes.
Os dados são do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) de 2016, os mais recentes, divulgados pelo governo neste ano. O estudo ainda aponta que o índice de perdas na distribuição de água no País em 2016 foi o maior em cinco anos. Entre 2012 e 2015, o percentual variou pouco, de 36,7% para 37%, apontando uma estabilidade. Em 2016, porém, a tendência foi de alta, chegando a 38,1%.
Segundo Édison Carlos, presidente do instituto, alguns fatores podem ter colaborado para a alta do desperdício, como a crise hídrica de São Paulo. Ele explica que água potável é distribuída através de um sistema pressurizado. Essa pressão normalmente é regulada ao longo do dia a depender do consumo das casas – quanto maior o consumo, maior a pressão. Durante a crise, porém, as redes de distribuição trabalharam mais vazias, o que fragiliza o sistema.
Em 2016, quando houve retomada de um volume maior de água em São Paulo e a pressão aumentou, apareceram novos vazamentos antes não identificados, ocasionando mais perda. “É um fator esperado”, afirma Carlos. De acordo com ele, o indicador de desperdício é pouco olhado pela sociedade e pelas próprias empresas, o que é um erro, já que as perdas só tendem a piorar. “As redes vão se deteriorando, novos vazamentos vão aparecendo, bem como novos furtos d’água”, destacou.
Além disso, as perdas trazem consequências tanto para o próprio sistema de produção quanto para o meio ambiente, já que um elevado nível de desperdício equivale a uma necessidade de captação e produção superiores ao volume efetivamente demandado pela sociedade. Segundo o estudo, as perdas geram ineficiências nos seguintes âmbitos: maior custo de insumos químicos e de energia elétrica para bombeamento; maior manutenção da rede e de equipamentos; desnecessário uso da capacidade de produção e distribuição; desnecessária pressão sobre as fontes de água para abastecimento.
“A perda é a água que não precisaria ser retirada da natureza. Poderia também usar essa água para agricultura, comércio e outros setores, mas tem que usar para abastecimento humano para compensar a ineficiência da distribuição”, afirmou Édison Carlos. O estudo aponta que o Brasil perdeu R$ 10,6 bilhões em 2016 por conta do desperdício, o que corresponde a 92% de todo o valor investido pelo setor de saneamento básico no mesmo ano no País (R$ 11,5 bilhões).
Cenários futuros
Para atingir patamar semelhante aos dos melhores países, como os Estados Unidos (12,8% de perda de faturamento), o Brasil precisaria passar por uma mudança nas políticas públicas, aponta o presidente do Instituto Trata Brasil. Em um cenário otimista apontado pelo estudo, o País chegaria a 15% em 2033, com uma redução de 61% nas perdas. O ganho bruto total seria de R$ 75,2 bilhões.
Já em um cenário neutro, a redução seria de 48%, chegando a 20% em 2033, com ganho de R$ 59,2 bilhões. Em um cenário conservador, a redução de 35% diminuiria as perdas para 25%, com ganho de R$ 43,2 bilhões.
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