Terça-feira, 21 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 20 de abril de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou sua participação na Hannover Messe 2026, a feira industrial de Hanôver, na Alemanha, para fazer uma ampla defesa do setor de biocombustíveis brasileiro, ameaçado de sofrer um revés na Europa. Uma proposta em discussão pela União Europeia (UE) poderá restringir o uso de biodiesel de palma e de soja pelas empresas da região para fins de cumprimento de cotas de energia renovável.
“O Brasil pode se transformar numa espécie de Arábia Saudita dos combustíveis renováveis. Temos que defender as alternativas que o mundo está precisando que sejam encontradas, que é a descarbonização. Por isso sou defensor intransigente dos biocombustíveis”, disse Lula à imprensa.
O presidente brasileiro destacou o tema dos biocombustíveis em diversos discursos feitos durante a feira. Na cerimônia de abertura, domingo, ele já havia criticado “barreiras de acesso a biocombustíveis” pelos europeus. Ontem, voltou ao tema de forma mais incisiva e disse que “os alemães não podem acreditar na mitologia dita por alguns que são contra a inovação tecnológica na área de combustíveis de que o combustível brasileiro atrapalha a produção de alimentos”.
Um dos argumentos usados na União Europeia é o de que a produção do biodiesel de soja e de palma gera um risco de mudanças indiretas no uso da terra, o que poderia prejudicar o abastecimento alimentar, segundo relatório da Comissão Europeia que destacou a expansão da soja no Brasil e seus impactos sobre o uso da terra.
Lula disse que “ninguém seria louco de substituir produção de comida por biodiesel”.
À imprensa, o presidente voltou a afirmar que o biodiesel é uma “opção barata, confiável e eficiente para descarbonizar o setor de transporte” e que o Brasil “é capaz de produzir sem comprometer a produção de alimentos e áreas de florestas”.
Ao ser questionado por jornalistas a respeito do tema, o premiê alemão Friedrich Merz disse que o fato de o Brasil usar o biodiesel e o álcool para mobilidade mostra que é um exemplo viável, e que a política não deve determinar uma só tecnologia como a do futuro. “Não deveríamos descartar tecnologias que vão se tornar relevantes daqui a 20, 30 anos. (…) Temos mais de 1 bilhão de carros a combustão nas estradas no mundo afora e será grande tarefa descarbonizar esses veículos. Isso não vai funcionar só com carro elétrico”, afirmou. As informações são do jornal Valor Econômico.
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