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Variedades O Brasil terá 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destaca importância da Estimativa para o controle do câncer. (Foto: INCA)

O Brasil deve registrar 781 mil novos casos da doença por ano até 2028. Quando excluídos os tumores de pele não melanoma (de alta incidência, mas baixa letalidade), a projeção é de aproximadamente 518 mil casos anuais. Os dados constam da publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, do INCA.

As previsões confirmam que o câncer vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, aproximando-se das doenças cardiovasculares. Os números refletem o envelhecimento da população, desigualdades regionais e desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.

Entre os homens, os cinco tipos de câncer mais incidentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral, respectivamente. Entre as mulheres, em ordem de incidência, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.

O câncer de pele não melanoma permanece como o mais frequente em ambos os sexos, sendo apresentado separadamente em razão de sua alta incidência e baixa letalidade.

A publicação destaca ainda cânceres com grande potencial de prevenção e detecção precoce, como o do colo do útero e o colorretal, que seguem entre os mais incidentes no País. As estimativas mostram também diferenças regionais importantes, relacionadas a fatores socioeconômicos, ambientais, comportamentais e ao acesso desigual aos serviços de saúde.

Marcia Sarpa, coordenadora de Prevenção e Vigilância do INCA explicou que “as estimativas, mais do que estatísticas, demonstram a importância de planejar e executar ações de prevenção, detecção precoce e acesso oportuno ao tratamento do câncer”

Elaboradas e divulgadas pela Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev) do INCA a cada três anos, a Estimativa tem o objetivo de apoiar o planejamento e a vigilância em saúde no curto prazo, com horizonte de até cinco anos, e concentra-se nos tumores de maior magnitude epidemiológica e relevância na saúde pública.

Estimativas não podem ser comparadas

O chefe da Divisão de Vigilância e Análise de Situação da Conprev, Luís Felipe Martins, destacou que as informações não se destinam à construção de séries históricas de incidência: parte das variações observadas ao longo do tempo podem decorrer da melhoria contínua das fontes de informação, como os Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP) e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), que vêm apresentando avanços em cobertura, qualidade dos dados e redução de sub-registros. Por essa razão, as estimativas publicadas em diferentes edições não devem ser comparadas diretamente entre si.

Além disso, a metodologia é periodicamente revisada, em alinhamento com recomendações internacionais da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc), da Organização Mundial da Saúde (OMS), e do Observatório Global do Câncer (Globocan, na siga em inglês) com a incorporação de novos modelos estatísticos, como predição de curto prazo, uso da razão incidência/mortalidade (I/M) e ajustes por redistribuição de causas mal definidas. Assim, diferenças entre edições podem refletir mudanças metodológicas ou aprimoramento dos dados, e não necessariamente alterações reais na incidência da doença.

Para análises de tendência ao longo do tempo, o INCA recomenda a utilização de dados consolidados dos RCBPs ou de estudos de séries temporais, desenvolvidos com metodologia padronizada e comparável.

“Esse instrumento [a Estimativa] é fundamental porque ele é um farol que guia a capacidade de planejar no território a intervenção, entendendo, inclusive, o conjunto dos equipamentos, das ofertas assistenciais, dos recursos humanos que precisam ser dimensionados e articulados parta responder os casos esperados”, disse Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do MS.

Para Jonas Gonseth-Garcia, coordenador de Determinantes da Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental da Organização Pan-Americana da Saúde da OMS no Brasil, “não há boa política pública sem boa evidência”. A Estimativa 2026-2028 é um instrumento estratégico que ajuda “antecipar cenários, priorizar ações e orientar investimentos”.

Claudia Mello, secretária de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, considerou que “as estimativas deste triênio, 26-28, são uma chamada à ação. O dado de 781 mil casos anuais no Brasil é uma alerta, principalmente para nós, do Sudeste, onde a incidência é mais acentuada”.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lembrou da meta da sua pasta: “Fazer o Brasil ter a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do sistema público do mundo”. O ministério pretende “expandir o serviço – estamos fazendo isso –, vamos qualificar os serviços, com a coordenação (papel fundamental) do INCA”.

A diretora da Iarc, Elisabete Weiderpass, por vídeo, defendeu que “ao investir em informação, planejamento e prevenção baseado em evidência, é possível reduzir o sofrimento por câncer, otimizar recursos e avançar rumo a uma sociedade mais saudável e mais equitativa”.

A mesa de abertura do evento foi composta ainda por Daniel Soranz, secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro. A introdução da cerimônia do feita pela diretor-geral do INCA, Roberto Gil.

A servidora Marceli de Oliveira Santos, vítima de câncer, e uma das idealizadoras da primeira edição da Estimativa, em 1995, foi homenageada: a edição lançada este ano foi a primeira sem sua colaboração, mas com a permanência de seu legado.

A cerimônia foi apresentada pela jornalista Daniella Daher, do Serviço de Comunicação Social do INCA, e pode ser assistida na íntegra pela TV INCA.

Principais destaques

781 mil novos casos de câncer estimados por ano no Brasil em cada ano do triênio 2026-2028.

518 mil casos anuais da doença, excluídos os tumores de pele não melanoma.

O câncer se aproxima das doenças cardiovasculares como principal causa de morte no Brasil.

A doença segue como desafio central para o SUS nas próximas décadas.

Tipos de câncer mais incidentes

Homens: Próstata (30,5%); Cólon e reto (10,3%); Pulmão (7,3%); Estômago (5,4%); Cavidade oral (4,8%)

Mulheres: Mama (30,0%); Cólon e reto (10,5%); Colo do útero (7,4%); Pulmão (6,4%); Tireoide (5,1%)

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