Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de dezembro de 2018
O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, disse nesta quarta-feira (5), que o Brasil terá problema no fornecimento de energia elétrica, caso volte a apresentar um crescimento robusto da economia. “Porque não estamos produzindo a energia necessária para sustentar o crescimento de 2,5% por alguns anos”, disse, durante evento em São Paulo, no qual lembrou a estimativa de crescimento de 3% do PIB.
Ele também destacou o fato de que o País deixou de investir em novas hidrelétricas com reservatórios e de que há uma crescente dependência do clima e das térmicas, mais caras e poluentes, para dar garantia ao suprimento.
“O desafio é gigantesco. O setor está estruturado dentro de uma realidade que não existe mais”, afirmou, defendendo uma mudança da estrutura do setor, classificada por ele atualmente como sendo “soviética”, tendo em vista a organização inicialmente feita em cima de estatais, sem competição e que permite que as ineficiências sejam resolvidas sem a participação da sociedade.
Moreira Franco avalia reduzir requisito mínimo para mercado de energia
Moreira Franco disse que avalia a recomendação de reduzir de 3 megawatts (MW) para 2 MW o requisito mínimo de carga para entrada no mercado livre de eletricidade. A sugestão consta em ofício enviado na terça-feira (4) pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Moreira Franco disse que estudará as condições técnicas do pedido, mas adiantou que considera o objetivo geral da proposta da Aneel “extremamente positivo”. A decisão poderá ser publicada por meio de portaria.
Segundo o ministro, o setor elétrico passa por um momento de muita mudança, em que não existem mais os entes totalmente públicos, da geração à distribuição de energia. “Em uma sociedade em que o mercado é livre à concorrência, à competição, à busca de uma melhor qualidade e preço, este modelo não atende mais”, disse Moreira Franco que participou nesta quarta-feira (5) do Seminário Internacional de Comercialização de Energia Elétrica, na capital paulista.
No mercado livre, a aquisição de energia é direto da operadora, sendo permitida a negociação de quantidade, fornecedor, preço e formas de pagamento. Esse ambiente de negócios é permitido apenas para consumidores de alta e média tensão, como indústrias e siderúrgicas.
Transição
Sobre a transição com o governo Bolsonaro, os ministros disseram que a próxima equipe do Planalto terá de tirar o foco de temas morais, que nortearam o debate durante a campanha eleitoral, e se concentrar na condução da economia e em políticas públicas. “Outros temas terão que vir à baila”, disse Fonseca.
Após a posse do novo governo, em janeiro, Moreira Franco deve passar o cargo para o almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior. O militar é um entusiasta da energia nuclear e dirige um departamento na Marinha focado no tema.
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