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Colunistas O caminho da inadimplência

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(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Ao longo do tempo, o comportamento humano sempre se mostrou ansioso por descobertas e conquistas, sejam elas sociais ou materiais. Nessa rota, os obstáculos ou vantagens creditícias mostram tendências que, muitas vezes, desfocam do próprio anseio do cidadão comum em ter os seus objetos ou momentos de prazer. A forma como o cotidiano se abre dá a medida exata desse objeto ou momento a ser conquistado. Viagens, lazer e conquistas materiais têm o dom de provocar o desequilíbrio que, mesmo momentâneo, pode trazer consequências devastadoras a qualquer orçamento cotidiano. Na ânsia de trazer acesso a essas conquistas, os governos têm, historicamente, criado mecanismos geradores de boas perspectivas na realização de sonhos ou pequenos desejos.

Um caminho fértil para o endividamento e, na sequência, a consequente inadimplência do brasileiro. Os números são aterradores! Crédito fácil, garantido ou não, virou armadilha para quem nunca teve um aprendizado básico de educação financeira, algo que por algum motivo sobrenatural, não faz parte do ensino em nosso País. Mesmo os defensores radicais da liberdade econômica entendem que as regras do crédito e do acesso a ele precisam ser monitoradas e regradas para evitar desequilíbrios e a inevitável falta de liquidez, virando créditos de liquidação duvidosa ou simplesmente perdidos. Está aí o campo fértil para o crescimento da fraude e da volatilidade econômica frequentemente encontrada no mercado financeiro brasileiro.

A política de empurrar o cidadão para o endividamento e a consequente inadimplência tem seus benefícios políticos, atribuindo na consequência, ao próprio cidadão os seus erros nas escolhas, mas cobrando um preço caro ao País que na demagogia financeira constrói castelos de areia que inevitavelmente vão ruir. Nessa hora o cidadão faz a sua mea culpa, e o governo fica com os votos. O Brasil criou a economia virtual onde os dados fazem parte de uma nuvem cinzenta que tapa o sol do verdadeiro progresso que só é movido pela roda do consumo responsável e lastreado na produtividade. Isso faz com que a corrupção generalizada atinja também o setor financeiro. E é a partir dessa virtualidade creditícia que nascem os “Bancos Masters” em nosso País.

* Gustavo Victorino é deputado estadual

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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