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Brasil O candidato à Presidência Jair Bolsonaro incorporou a seu programa propostas criadas ou defendidas pelo PT e outros partidos

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O vice de Bolsonaro, Hamilton Mourão, minimizou o fato de as propostas já terem sido apresentadas antes. (Foto: Luiz Chaves/Palácio Piratini)

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) incorporou a seu programa propostas criadas ou defendidas pelo PT e outros partidos em meio à resistência de eleitores de baixa renda e do Nordeste — região que votou majoritariamente no petista Fernando Haddad no primeiro turno. Entre as iniciativas adotadas, estão a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos e a criação de um décimo terceiro pagamento do Bolsa Família.

O candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, general da reserva Hamilton Mourão, minimizou o fato de as propostas já terem sido apresentadas antes e disse que, apesar de o PT ter tentando colocar algumas em prática, elas não foram adiante. “Apresentada, mas não implementada. Mas essa é uma questão social e não econômica”, disse o general em relação ao décimo terceiro para o Bolsa Família.

Mourão, que durante a campanha chegou a chamar de “jabuticaba” o décimo terceiro salário para os trabalhadores brasileiros, disse ainda que “os princípios basilares da gestão pública” nunca foram seguidos pelo PT e que em um eventual governo de Bolsonaro serão “obedecidos”, sendo eles “legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.

Segundo Mourão, a visão econômica da campanha de Bolsonaro “é clara e passa pelas reformas previdenciária, tributária e fiscal”. “Além das privatizações, desregulamentação e desburocratização, assim como o enxugamento do governo”, completou o candidato a vice.

Apesar de agora sugerir o décimo terceiro salário para o Bolsa Família, em 2011 Bolsonaro criticou em Plenário o programa dizendo que ele nada mais era que “um projeto para tirar dinheiro de quem produz e dá-lo a quem se acomoda, para que use seu título de eleitor e mantenha quem está no poder”, em referência ao PT.

No dia 10 de outubro de 2018, em vídeo divulgado pelo Twitter, Bolsonaro fez uma revisão de sua posição e anunciou que entrava no plano de governo o décimo terceiro pagamento no programa. “Essa despesa a mais nós vamos tirar da fraude, combatendo a fraude nesse programa”, disse o candidato. O impacto fiscal é de aproximadamente R$ 2,5 bilhões ao ano.

Há mais de um ano, essa mesma proposta já havia sido criada no Congresso Nacional por meio de um projeto de lei do senador Lindhberg Farias (PT-RJ). O texto de 9 de agosto de 2017 visava alterar a lei do Bolsa Família “para estabelecer o pagamento de uma décima terceira parcela aos beneficiários, no mês de dezembro.” A ideia já havia sido defendida também nas eleições de 2014, três anos antes, pelos candidatos Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (Rede).

Procurada para comentar também, a campanha de Haddad contestou as promessas do capitão da reserva. “Não dá para confiar na palavra e nas ações de marketing de uma campanha como a de Bolsonaro, que abusa de fake news e demagogia”, afirmou em nota.

No caso da isenção de Imposto Renda para até cinco salários mínimos, que passou a ser defendida por Bolsonaro no meio da campanha, a proposta já estava no programa de Lula quando o nome do ex-presidente foi lançado à presidência e a proposta foi absorvida no programa de Fernando Haddad (PT) em setembro de 2018.

Durante a campanha, Bolsonaro também sugeriu outras medidas ligadas a ações criadas na era petista – como juros menores no Minha Casa, Minha Vida e a conclusão da transposição do Rio São Francisco.

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