Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020

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Brasil O cenário está negro para saber em quem votar e fica mais complicado diante dos 11 cidadãos do Supremo que acham que têm poder ilimitado e cada um a sua constituição própria

Ano eleitoral reserva incógnitas entre os candidatos. (Foto: Ichiro Guerra/PR)

A pergunta mais comum de se escutar, algumas vezes por dia, é em quem votar. De deputado em diante a incógnita tem sido a marca registrada. Incógnita não porque não se tenha candidatos, mas porque ninguém sabe o que vem pela frente e de que jeito vem pela frente. O cenário está negro para saber em quem votar e fica mais complicado diante dos 11 cidadãos do Supremo que acham que têm poder ilimitado e cada um a sua constituição própria… E as alternativas para os cargos majoritários não convencem, nem comovem, nem empolgam.

Então, é cada vez mais comum ouvir “em quem você vai votar?”, como se você fosse o oráculo de Delfos e sua resposta trouxesse a paz para a Grécia.

Irá, vencerá, não, voltará. Dependendo do lugar da vírgula, a única certeza é a ida. A resposta é célebre entre as respostas dadas pela pitonisa.

Como ninguém é oráculo nem casado com pitonisa, então não se sabe a resposta para nenhuma das perguntas.

O que sabemos é que o Brasil atravessa um momento complicado, capaz de interferir no futuro do País, sem que se possa fazer muita coisa para mudar o jogo, até porque os jogadores em campo têm regras para entrar e sair que não podem ser mudadas com o jogo em andamento.

Se o voto decidisse tudo, tudo bem, o negócio não era tão ruim assim. Só que o voto decide cada vez menos porque colocaram no Supremo onze cidadãos que se acham acima do bem e do mal, que seu poder é ilimitado e que cada um pode ter uma constituição própria, que não diz o que a Constituição diz.

Deputado até que é fácil escolher. Não há razão para ser diferente. Cada um escolhe quem defende mais a sua história e está resolvido. O jogo embola para Senador, Governador e Presidente da República. Senador ninguém lembra, por isso tem de tudo. Mas e Governador? E Presidente da República? Tem algum que te agrada? Se tiver, vote nele.

Ganhar e governar

Participantes do mercado financeiro têm-se interessado pela candidatura do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa pelo PSB. As ideias econômicas de Barbosa os tranquilizam, inclusive pelas reuniões que ele tem mantido com economistas liberais.

Guilherme Boulos, que promete não pagar a dívida interna. Ciro Gomes, defende a reestatização da Embraer. Não entram nas análises as ideias oficiais do PSB nem se Barbosa teria as qualidades para negociar difíceis reformas com o Congresso.

Muitos releram a entrevista do ex-ministro na qual ele defendeu a “saída do Estado da condição de sócio majoritário de empresas estatais”. Barbosa apoiou as reformas da Previdência e do Trabalho, bem como o fim da contribuição sindical obrigatória.

O interesse pelas ideias de Barbosa animou o PSB. O partido estaria pressionando o ex-ministro “a apresentar um conjunto de propostas que sejam simpáticas ao mercado financeiro e, ao mesmo tempo, favoráveis à distribuição de renda, na tentativa de viabilizar uma candidatura à Presidência”.

O Plano Estratégico de Desenvolvimento Nacional, disponível no site do partido, tem ideias nem tão liberais. Ao contrário, o documento critica severamente o sistema capitalista. As ideias estão mais próximas do PT do que do Consenso de Washington.

Além disso, a forte demanda por um candidato responsável permite esquecer algo fundamental para quem se eleger: a habilidade para formar uma coalizão majoritária de governo e negociar com o Congresso a aprovação das propostas vencedoras.

O próximo Congresso será parecido com o atual. Como disse Ulysses Guimarães, “pior do que o atual Congresso só o próximo”. A cultura fisiológica continuará a ditar a lógica da negociação. O presidente precisa entender o jogo, transformar recursos políticos em moeda de troca clientelista e mostrar-se simpático a figuras execráveis.

O desafio será o da negociação com o próximo Congresso, mesmo que não seja o pior, mas apenas da mesma qualidade do atual.

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