Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de maio de 2020
Conselheiro de saúde e administrador interino dos Centros de Serviços dos programas de saúde Medicare e Medicaid durante o governo Barack Obama, Andy Slavitt publicou uma série de tuítes criticando a atuação do Brasil e o comportamento do presidente Jair Bolsonaro no combate à Covid-19. Slavitt disse que o Brasil “pode estar fazendo um trabalho pior e ter um resultado pior do que o dos EUA”.
“Bolsonaro está consolidando a impressão de que certos líderes são mais insensíveis e indiferentes (Trump e Johnson antes de ser infectado pela Covid-19) do que outros como Merkel (Alemanha) ou Ardern (Nova Zelândia)”, escreveu Slavitt. “[O Brasil] não está melhorando. Pelo contrário, é provável que piore cada vez mais”.
O ex-conselheiro de saúde de Obama ainda traçou paralelos entre o Brasil e os EUA. Ele afirmou que as favelas do Rio de Janeiro “compartilham características com os lares de idosos, prisões e moradias públicas” americanas, além de afirmar que a situação de São Paulo “parece muito” com o epicentro da pandemia nos EUA, Nova York.
Ele ainda cita que há “800 mil morando em comunidades indígenas” e que “outra triste semelhança” é a indiferença dos governos com as populações mais vulneráveis. “Os ricos voam em helicópteros e têm seguranças”, escreveu.
Slavitt ainda relembrou alguns episódios em que Bolsonaro foi muito criticado: “Ele chama a preocupação de ‘neurose’ e que ‘não há nada a ser feito’ […] Ele participa de comícios políticos lotados e travou uma ‘guerra’ contra os governadores locais que tentaram fechar seu estados. Ele demitiu seu ministro da Saúde por discordar sobre o distanciamento social, está recomendando medicações sem eficácia comprovada. É quase como se tivesse um manual”.
O americano é conhecido nos EUA por ter liderado a equipe que consertou o sistema Healthcare.gov — uma plataforma com planos de saúde operada sob o governo federal — após ele ter sido lançado com problemas. Depois disso, foi escolhido por Obama, em julho de 2015, para comandar os Centros de Serviços dos programas de saúde Medicare e Medicaid, ocupando o cargo até janeiro de 2017. Ele é criador de duas organizações focadas em democratizar o acesso à saúde nos EUA. Atualmente, atua como consultor no Centro de Políticas Bipartidárias em Washington.
Durante a série de tuítes, Slavitt ainda afirmou que os países devem trabalhar em conjunto. Citou os casos de países africanos e do Haiti que “não podem sair dessa situação sem a ajuda dos EUA”. “A melhor maneira de sair disso é começar a se preocupar com o mundo e com as nossas próprias populações vulneráveis novamente”, escreveu.
A crítica veio dias depois de o presidente Donald Trump, republicano que sucedeu o democrata Obama na Casa Branca, afirmar que ainda considera proibir a entrada de passageiros vindos do Brasil – uma ameaça já feita em outros momentos.
“Estamos considerando isso”, disse o presidente na terça-feira. “Não quero pessoas vindo para cá e infectando nosso povo. Também não quero que as pessoas fiquem doentes por lá. Estamos ajudando o Brasil com respiradores… O Brasil está tendo problemas, não há dúvida sobre isso.”
Trump, no entanto, não indicou como seria essa ajuda com os respiradores.
Segundo o embaixador Nelson Forster, encarregado de negócios na embaixada do Brasil em Washington, “não há, no momento, nenhuma nova decisão quanto a cancelamento de conexões aéreas com o Brasil nem de imposição de restrições a este respeito”. Sobre a ajuda, Forster disse que numa “ligação entre os presidentes Bolsonaro e Trump, houve ofertas de lado a lado de assistência entre os países”, mas que cada nação daria prioridade à sua própria população. Os EUA, no entanto, asseguraram uma isenção da Lei de Produção de Defesa, disse o diplomata. “Essa isenção garante ao Brasil a possibilidade de aquisição de respiradores artificiais, até um certo limite”, explicou.
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