Domingo, 04 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de fevereiro de 2018
O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou neste sábado (24), por unanimidade, uma resolução que decreta um cessar-fogo na Síria durante 30 dias.
A resolução “exige que todas as partes cessem hostilidades sem demora”. O chefe da ONU, António Guterres, elogiou a medida e pediu a todos os lados do conflito que permitam a passagem de ajuda.
Evacuação
O documento decreta “uma pausa humanitária de pelo menos 30 dias consecutivos em toda a Síria, para permitir a entrega de ajuda humanitária de forma segura, desimpedida, sustentável, e a evacuação médica dos feridos e doentes graves.”
O texto, que foi introduzido pelo Kuweit e pela Suécia, decreta ainda que deve ser levantado o cerco de zonas com população, como o Ghouta Oriental. Segundo dados da ONU, morreram nesta região pelo menos 350 pessoas esta semana.
O presidente do Conselho de Segurança, Mansour Ayyad Al-Otaibi, do Kuweit, disse que o voto “é um sinal positivo de que o Conselho de Segurança está unido” para acabar com o sofrimento na Síria.
Al-Otaibi acredita que a resolução “responde aos pedidos da comunidade internacional” e que “vai salvar vidas”.
O presidente do Conselho de Segurança terminou dizendo que “ainda há muito trabalho para fazer para acabar com uma tragédia que já dura há sete anos.”
Apoio
Esta semana, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos classificou a situação em Ghouta Oriental como uma “campanha monstruosa de aniquilação”.
O escritório de Zeid Al Hussein documentou mais de 1,2 mil vítimas do conflito somente no mês de fevereiro.
Também esta semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, mostrou-se “profundamente triste com o sofrimento da população civil em Ghouta Oriental” e pediu a “suspensão imediata” de “todas as atividades de guerra” na região.

Rua em Douma, Ghouta Oriental, na Síria. (Foto: UNICEF/Amer Al Shami)
Agência da ONU busca US$ 194 milhões
Após quase sete anos de conflito armado na Síria, a situação humanitária continua piorando, segundo as Nações Unidas. Dentro do país, são mais de 13 milhões de pessoas que precisam de assistência. Quase 3 milhões vivem em áreas sitiadas ou onde o acesso é difícil.
Além disso, mais de 5,5 milhões de sírios buscaram refúgio nas cinco nações vizinhas: Líbano, Jordânia, Turquia, Iraque e Egito. Na sexta-feira, a Organização Internacional para Migrações, OIM, lançou um apelo financeiro.
A agência busca US$ 194 milhões para fornecer abrigo, água potável, serviços de saúde e garantir a educação das crianças neste ano. O diretor-geral da OIM, William Swing, declarou que essas ações são vitais para “garantir que os sírios tenham o apoio que precisam de forma desesperada”.
Também na sexta-feira, os chefes de várias agências da ONU divulgaram um comunicado conjunto sobre a crise síria. Eles disseram que mais do que nunca, agora é o momento de ampliar o apoio internacional aos países vizinhos à Síria e à comunidades que abrigam os refugiados.