Terça-feira, 14 de Julho de 2020

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Brasil Conselho que definirá o futuro de Aécio Neves no PSDB será instalado em dez dias

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A Procuradoria indica que o codinome atribuído à Aécio, conforme delação de executivos do grupo Odebrecht, em especial Marcelo Odebrecht, era 'mineirinho'. (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

O conselho de ética do PSDB que irá julgar os processos contra membros do partido será instalado dentro de dez dias. Entre os primeiros processos na fila pode estar a permanência ou não do deputado federal Aécio Neves (MG). Em julho, o diretório municipal de São Paulo apresentou uma moção pedindo a expulsão do mineiro.

A informação foi divulgada, na última sexta-feira (09), pelo presidente nacional do partido, Bruno Araújo (PE), durante o encontro estadual de gestores municipais do PSDB em Minas Gerais. Araújo disse que quem irá avaliar a situação de Aécio é o conselho, respeitando as regras definidas pelo código de ética aprovado este ano.

As novas regras preveem, por exemplo, que para expulsão de um filiado (seja por corrupção, improbidade administrativa dolosa ou racismo e casos de violência contra mulher, idosos, criança), é necessário que haja uma decisão judicial, transitada em julgado. Réu em processos, incluindo acusação de corrupção, Aécio Neves ainda não foi julgado pela Justiça.

“O ex-senador, ex-governador, deputado Aécio Neves tem da minha parte, e de grande parte do partido, uma relação de absoluto respeito pela sua história, pelo que fez com o Brasil, pelo que fez com Minas. Vai ser tratado com absoluto respeito, especialmente da minha parte, fazendo com que a regra do jogo siga democraticamente”, disse Araújo.

Em julho, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, deu um ultimato sobre a permanência de Aécio no partido. Para os aliados de Aécio, a ala paulista estaria tentando criar “um tribunal de exceção”. No mesmo mês, o diretório municipal da capital paulista elaborou uma moção pedindo a expulsão do deputado mineiro.

Para o presidente do partido em Minas Gerais, deputado Paulo Abi-Acklel, próximo de Aécio, a pressão do diretório paulista é normal no momento pré-eleitoral, um ano antes das eleições municipais. Ele disse que descarta a possibilidade de que o código de ética não seja usado – ou seja, que Aécio seja expulso antes de uma decisão judicial em seus processos.

Respondendo sobre Covas, Aécio disse que “cada um escolhe a forma que acha mais adequada de fazer política”. Ao lembrar que “dedicou os últimos anos” da vida trabalhando para conseguir vitórias para o partido, ele ressaltou as conquistas nas eleições municipais de 2016, que, “sob sua liderança”, trouxeram a eleição de João Doria (SP) na capital paulista.

“É o que vou continuar fazendo. Ajudando a construir o partido, porque o Brasil precisa de um caminho que não seja pelos extremos. Mais do que nunca, o que percebo é um vácuo, uma ausência no centro de uma nova articulação, em torno de uma agenda de unidade nacional, uma agenda que privilegie os investimentos público e privado, que faça o Brasil voltar a crescer”, afirmou o deputado.

Aécio citou a reunião que teve com o senador José Serra (PSDB/SP) e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), na quinta-feira (08), para discutir pautas do segundo semestre. Entre elas, diz ele, a reforma tributária, o pacto federativo e a Lei Kandir.

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