Domingo, 02 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 19 de janeiro de 2020
A possível ida da atriz Regina Duarte para a Secretaria Especial de Cultura foi comentada por artistas no Rio e em São Paulo. Regina foi convidada pelo presidente Jair Bolsonaro na última sexta-feira, após Roberto Alvim ser demitido por um pronunciamento oficial de inspiração nazista. Neste sábado, a jornalista Natuza Nery informou em seu blog no G1 que a atriz pediu um encontro “olho no olho” com Bolsonaro , que aconteceria segunda-feira, dia 20.
Uma das mais conhecidas atrizes do país, Regina sempre se posicionou contra o PT. Durante a campanha presidencial, anunciou apoio a Bolsonaro, o que gerou confrontos com boa parte de seus colegas. Neste sábado, ela reforçou o endosso ao presidente com um post nas redes sociais.
A atriz Cássia Kis, que contracenou com Regina na clássica novela “Vale Tudo” (1988), acredita na habilidade da colega para liderar a Cultura e estabelecer um diálogo com o setor.
— Ela votou no Bolsonaro, fez campanha pra ele. É justo ele convidar e que ela aceite. Se eu fosse ela, aceitaria. Mas como não votei no Bolsonaro, não ganhei esse convite. Ela tem capacidade, é uma atriz importante, que conhece a classe artística, com uma trajetória que lhe dá responsabilidade. Ela vai pedir ajuda sem pudor, a Regina não é uma mulher de fechar a porta para ninguém — disse ela, que deseja sucesso à atriz na empreitada.
Outra atriz que já trabalhou com Regina, Mariana Lima diz não entender os motivos que levaram a colega a se alinhar com o governo Bolsonaro.
— Eu não entendo uma pessoa como a Regina, o (ator) Carlos Vereza, se alinharem com esse governo. Trabalhei com os dois, sei que temos outros artistas que estão do lado desse governo ultraconservador. Mas eu não entendo você estar do lado daqueles que estão fazendo de tudo para acabar com a arte, a imprensa, o pensamento, a universidade pública, as conquistas democráticas, as instituições democráticas, os direitos humanos, a nossa liberdade de expressão.
Marido de Mariana, o também ator Enrique Diaz, atualmente no ar na novela “Amor de mãe”, torce para que Regina recuse o convite.
— Não tenho a menor impressão de que ela seja preparada para isso, ainda mais num governo como esse que está, no fundo, minando toda produção artística. Acho difícil que alguém realmente interessante aceite estar do lado desse governo — considera o ator, que vê na saída de Roberto Alvim uma oportunidade para discutir a Cultura com a população.
— Esse episódio do Alvim é, por um lado, um péssimo sinal de que ponto a gente chegou. Por outro, é bom que isso esteja sendo visto em toda a sua tragédia. A saída do Roberto (Alvim) pode fazer com que a população perceba em que cilada entrou.
‘Pior do que onde chegou é impossível’
A coreógrafa Deborah Colker espera a vinda de um novo nome para a pasta da Cultura não faça com que o flerte de Alvim com o nazismo seja esquecido.
— Como uma artista judia, como uma cidadã, eu fiquei assustada, apavorada. Nunca pensei que, na minha existência, algo ia chegar tão perto (do nazismo) da maneira que foi. Meus quatro avós são judeus que fugiram de maneira terrível. Vieram pra um país bacana, acolhedor. A saída dele pelo menos deu um alívio — diz Deborah, que afirma não conhecer Regina como gestora.
— Ela é uma pessoa ativa no mundo do teatro e da televisão, isso é um ponto positivo. Mas como artista é uma coisa, outra é fazer gestão de um setor. Espero ter esperança. Pior do que onde chegou é impossível.
Já a cantora Zélia Duncan lamentou o alinhamento da atriz com o governo, que considera fundamentalista.
— Respeito a trajetória de Regina Duarte como atriz, mas considero uma temeridade que ela assuma um cargo de tamanha importância, estando tão encantada com um governo de extrema-direita e violento.
O ator Bruno Fagundes, filho do veterano Antonio Fagundes, afirma que um posto com tamanha responsabilidade deveria ser ocupado por alguém com mais experiência do que Duarte.
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