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Brasil O coronavírus deve chegar ao Brasil, mas não há motivo para pânico, disse um cientista brasileiro

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Rivaldo Venâncio, pesquisador da Fiocruz. (Foto: Heitor Iglesias / Governo do Tocantins)

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) anunciou na noite desta sexta-feira (24) a criação de uma “sala de situação” para acompanhar o desenrolar da epidemia de coronavírus que começa a transbordar da China para outros países. A primeira reunião dos pesquisadores envolvidos no esforço nacional de vigilância e praparação ocorrerá na segunda-feira (27), com presença de pesquisadores, técnicos e representantes do Ministério da Saúde, além de integrantes das secretarias de saúde estadual e municipal do Rio.

O pesquisador Rivaldo Venâncio detalha abaixo os esforços da instituição.

1) Qual vai ser o papel da Fiocruz no esforço de monitoramento e eventual reação à chegada do novo coronavírus no Brasil?

A Fiocruz está em permanente diálogo com o Ministério da Saúde para acompanhar o cenário epidemiológico do novo coronavírus. Temos um laboratório que é referência nacional para diagnóstico laboratorial de vírus respiratórios. E temos dois institutos nacionais, também de referência, para atendimento a pacientes, além de um centro de saúde voltado para a atenção básica. Toda essa nossa capacidade poderá ser acionada na eventual chegada do vírus, seguindo os protocolos definidos. Não seremos pegos de surpresa.

2) O coronavírus vai chegar?

Considerando a grande circulação de pessoas entre os continentes, é bastante provável que esse vírus chegue ao Brasil. Mas é importante que a população saiba que a identificação do novo coronavírus no país não deverá ser motivo para alarde ou pânico. Como acontece com todos os vírus respiratórios, há sempre uma quantidade muito grande de casos leves e moderados. Acreditamos que, a exemplo do que acontece com outros tipos de coronavírus, o comportamento permaneça o mesmo. Ou seja, muitos casos leves a moderados e as formas mais graves da doença acometendo àquela população que já faz parte dos grupos considerados mais vulneráveis a doenças respiratórias, como idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas ou com imunodeficiência.

3) O que as pessoas devem fazer para se prevenir?

A recomendação é que esses grupos potencialmente mais vulneráveis às formas graves da doença estejam mais atentos às manifestações clínicas. É importante destacar que todas as medidas estão sendo tomadas, os cenários estão sendo permanentemente avaliados pelo Ministério da Saúde e órgãos competentes e há grupos na rede pública dedicados ao acompanhamento dessa situação.

4) A Fiocruz já está com a sequência genética do vírus em mãos? Já iniciou algum estudo?

No dia 12 de janeiro, a China compartilhou a sequência genética do novo coronavírus em bancos de dados internacionais, incluindo o GISAID (Global Initiative on Sharing All Influenza Data). Pesquisadores da Fiocruz, assim como especialistas em diferentes países, atuam na análise dessas informações com o objetivo de compreender as características do novo coronavírus.

5) A Fiocruz já tem alguma amostra do vírus em mãos?

A Fiocruz recebeu, na tarde do dia 23/1, amostra enviada pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. O material foi processado para patógenos respiratórios adicionais e o resultado já foi divulgado pela própria Secretaria. (o exame deu negativo). Não foram recebidas outras amostras até o momento.

6) Existe capacidade laboratorial para diagnóstico preciso do vírus?

A Fiocruz tem uma experiência de quase 40 anos com vírus respiratórios e capacidade laboratorial de referência. Com relação ao novo coronavírus, somente no dia 12 de janeiro, quando a China compartilhou a sequência genética em bancos de dados internacionais, os insumos necessários para esse diagnóstico específico começaram a ser preparados. Ou seja, não eram insumos que estavam disponíveis no mercado, mas já foram comprados pela Fiocruz. Não existe ainda sorologia (exame imunológico) disponível para o novo coronavírus. Os testes a serem realizados são baseados em técnicas de biologia molecular.

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