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Economia O coronavírus dificulta a retomada da atividade econômica na China

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Funcionários da fábrica da Foxconn, responsável pela produção de iPhones na China. (Foto: Reprodução)

A gigantesca fábrica da Foxconn responsável pela produção de iPhones na China deveria ter voltado ao trabalho no último dia 10, após a extensão do feriado de Ano Novo em razão da epidemia de coronavírus. Mas só 10% dos funcionários apareceram para trabalhar. As informações do jornal O Estado de S. Paulo.

As dificuldades da maior empregadora privada da China espelham o caos instalado no país por restrições de locomoção que afetaram a logística de distribuição de bens e dificultaram o retorno de milhões de chineses a seus empregos. A maior parte delas foi imposta por governos locais, temerosos de verem suas regiões transformadas em uma nova Wuhan, o epicentro da epidemia.

“É como a Europa medieval. Cada cidade tem seu controle”, disse ao New York Times Jörg Wuttke, presidente da Câmara de Comércio Europeia na China.

A economia chinesa já desacelerou em 2019, quando cresceu 6,1%, o menor ritmo em 29 anos. Alguns analistas acreditam que a expansão no primeiro trimestre de 2020 será de zero a 1%. Há dez dias, a Standard & Poor’s reduziu sua projeção para o ano de 5,7% para 5,0%. Se a epidemia começar a retroceder só em abril, o porcentual será de 4,4%. As últimas vezes em que o país cresceu menos que 5% foram em 1989 e 1990, na esteira do massacre de estudantes na Praça da Paz Celestial.

A China produz 70% dos smartphones vendidos no planeta, e a paralisia em sua logística pode secar ou reduzir estoques do produto ao redor do mundo.

A menor atividade econômica no país provocou queda na cotação internacional do petróleo: o preço do Brent caiu de US$ 65,20 no dia 20 de janeiro, quando as autoridades reconheceram a gravidade da epidemia, para US$ 53,27 no dia 10 de fevereiro. Desde então, a cotação se recuperou um pouco, para US$ 57,25. Também houve redução nos preços da soja e do minério de ferro, os dois principais produtos de exportação do Brasil para o país asiático.

O cenário é especialmente desafiador para as pequenas e médias empresas privadas. Apesar de responderem pela maior parte da geração de emprego, elas não contam com fácil acesso a fontes de financiamento oficiais, que privilegiam as gigantescas companhias estatais.

Pesquisa das Universidades Tsinghua e Peking realizada após o início da epidemia com 995 pequenas e médias firmas mostrou que 34% delas conseguiriam sobreviver só por um mês com o dinheiro que tinham em caixa. Outras 33,1% estimavam sobrevida de dois meses e 17,91%, de três. Só 9,96% disseram ter fôlego para seis meses ou mais.

O controle da epidemia ainda não parece estar no horizonte. Depois de relatar queda no número de novos casos por oito dias consecutivos, o governo chinês anunciou na quinta-feira uma elevação de dez vezes nos dados, na comparação com o dia anterior. A mudança decorreu da adoção de outros métodos de diagnóstico, dada a escassez de kits que podem detectar a presença do vírus. Com base em estatística, o epidemiologista Neil Ferguson, do Imperial College de Londres, estima que só 10% dos casos foram detectados até agora.

Nesse cenário, o governo terá uma tarefa desafiadora ao tentar equilibrar as contraditórias demandas de retomar a atividade econômica e conter a expansão do vírus.

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