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| O crescimento da temperatura no mundo aconteceria de qualquer jeito, mesmo sem a contribuição do fenômeno El Niño

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Em 2015, o Brasil teve temperaturas recordes. (Foto: Reprodução)

O título de ano mais quente da História tem dono inconteste. A Nasa (agência espacial americana) e a Noaa (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA) anunciaram que 2015 terminou como o mais tórrido desde o início dos registros, em 1880. Destacaram que 15 dos 16 anos mais quentes ocorreram desde 2000 – a única exceção foi 1998, dominado por um forte episódio do fenômeno El Niño – em uma série que confirma as previsões sobre mudanças climáticas associadas à ação humana.

E 2016 já começa com eventos climáticos surpreendentes. Dois furacões se formaram em pleno inverno do Hemisfério Norte em janeiro. Normalmente, os furacões precisam de águas excepcionalmente quentes para se desenvolver e, por isso, ocorrem no verão.

Um deles, batizado Pali, se tornou o primeiro já registrado tão cedo no ano na História no Pacífico Central. O outro, Alex, além de ser o quarto furacão de inverno em 150 anos, é o mais ao Norte já formado. De acordo com a Nasa, em 2015, o Brasil teve temperaturas recordes. O El Niño em ação desde o fim do ano passado não deve ser o único responsável pelo calor. Segundo as agências americanas, ele só intensificou a tendência de aquecimento da Terra associada às mudanças climáticas.

Até agora, o ano mais quente já registrado tinha sido 2014. Climatologista da Universidade Estadual da Pensilvânia, Michael Mann calcula que, se não houvesse aquecimento global, as chances de que um ano com recorde de temperatura fosse superado pelo ano seguinte seria de apenas uma em cada 1.500. Dado o fato de que o planeta está se aquecendo, as chances tornam-se muito maiores – cerca de uma em dez.

Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, acredita que os índices elevados alcançados em 2015 logo serão batidos. “As temperaturas foram notáveis mesmo sem a contribuição do El Niño. O aquecimento que vemos agora é resultado de um efeito cumulativo” assinala. “Não há evidências de pausa no aumento dos termômetros. Isso é cada vez mais óbvio.”

Estima-se que, se não houver qualquer medida para controle das emissões de gases-estufa, a temperatura global pode avançar 2 graus Celsius até 2040, em relação aos registros anteriores à Revolução Industrial. No entanto, em algumas regiões esse índice pode chegar já na próxima década. É o caso do Brasil, de trechos dos EUA e do Mediterrâneo, segundo um estudo assinado por cientistas do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça) na revista Nature.

Coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur acredita que o planeta testemunhará em breve novos recordes de temperatura.

“O registro da Nasa é mais um sinal da urgência em mudar o atual regime de emissões”, alerta. “Segundo as metas assumidas pelos governos, a temperatura do planeta pode aumentar até 3 graus Celsius. Mas isso é uma média. Em determinadas regiões, este índice pode pular para até 9 graus Celsius. Ainda existe a noção de que o crescimento da temperatura é uniforme. Não é e ela sobe em velocidade assustadora”, completa. (AG)

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